31.5.10






Do estúdio de Barcelona Lobulo Design.

28.5.10

27.5.10

Vídeo produzido com fotos de Marcio Rodrigues e Marco Mendes extraaídas do livro "Sol no Céu da Nossa Casa", que documenta a chegada da energia elétrica no norte de Minas Gerais. O livro é uma iniciativa da Odebrecht, com textos de Cláudia Câmara e diagramação de Márcia Larica. As fotos foram vencedoras do Prêmio Fundação Conrado Wessel de Fotografia em 2010.

Sol no ceu da nossa casa from Marcio Rodrigues on Vimeo.

24.5.10




Esse é o trampo do londrino Aaron Noble, um caboco que mistura quadrinhos, arte de rua, mural e, porque não, surrealismo. De longe, até dá para confundir com aqueles grafites batidos de superherois. Mas não. Vale a pena entrar no site dele e apreciar com calma.

20.5.10

Olha de onde a Apple tirou a ideia para os famosos comerciais de ipod.


Créditos iniciais de Por um punhado de dólares, de Sergio Leone.


Comercial do ipod.

4.5.10

29.4.10

27.4.10

Whooo!
Yeah man made powers
Stood like a tower higher and higher hello
And the higher you go you feel lower, oh
I was close to the end staying undercover
Staying undercover
With a nose to the ground I found my sound

Got myself an interview tomorrow
I got myself a jacket for a dolla
.............
And the car doesn't work so I'm stuck here
Yeah I don't wanna live for tomorrow
I push my life today
I throw this in your face when I see ya
I got something to say
I throw this shit in your face when I see ya
Cause I got something to say

I was born free (born free)
I was born free (born free)
(bo-bo-born free ....)

You could try to find ways to be happier
You might end up somewhere in Ethiopia
You can think big with your idea
You ain't never gonna find utopia
Take a bite out of life make it snappier yeah
Ordinary gon super trippyer

So I check sh!t cause I'm lippyer
And split a cheque like slovakia

Yeah I don't wanna live for tomorrow
I push my life today
I throw this in your face when I see you
I got something to say
I throw this sh!t in your face when I see you
Cause I got something to say

I was born free (born free)
I was born free (born free)
I was born free (born free)
(bo-bo-born free ....)
Ooooh

I don't wanna talk about money, 'cause I got it
And I don't wanna talk about hoochies, 'cause I been it
And I don't wanna be that fake?, but you can do it
And imitators, yeah, speak it

Oh Lord? whoever you are, yeah come out wherever you are
Oh Lord? whoever you are, yeah come out wherever you are
And tell em!

Born free (born free)
I was born free (born free)
I was born free (born free)
(bo-bo-born free ....)


M.I.A, Born Free from ROMAIN-GAVRAS on Vimeo.

8.4.10

Da livre natureza dos sistemas
João de Souza Leite

Aos olhos do leigo, um cartaz não é exatamente um cartaz, é sobretudo uma possibilidade de conexão a um evento, um acontecimento ou um produto. Qualquer que seja a informação ali encerrada, para o leigo importa a sensação despertada, o sentido tornado alerta, embora não saiba por que nem como se dá tamanha mobilização pessoal diante de uma simples folha de papel impresso. Em segundo lugar, geralmente, importa-lhe a precisão de informação ali contida.

O que nos interessa aqui, e que parece ser fascinante, é a possibilidade de desvelar os artifícios utilizados por Kiko Farkas na construção de tão variado, e ao mesmo tempo tão coeso, conjunto de cartazes para a Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo, projetados entre 2003 e 2007 por ele e sua equipe. Cerca de 300 cartazes diferentes pensados e impressos nesses quatro anos e meio. Na média, algo em torno de seis cartazes por mês. Por vezes, até oito em um só mês!

De riqueza e variedade singulares, essa produção ecoa temas explorados ao longo da história do design. Dito isso, desse modo, pode parecer que a sua originalidade se coloca em risco. Ou ainda que o trabalho de Kiko, por demais pessoal, pudesse deixar de lado alguns compromissos básicos do design gráfico. De modo algum. É justamente na confluência desses e de alguns outros fatores que cercam o projeto e a produção dessa formidável coleção que se encerra o maior desafio para a sua análise.

Aqui, portanto, entre outros aspectos, importa tecer comentários a respeito da liberdade de Kiko em relação a certos cânones formais, importa admirar e apontar seu rigor tipográfico. Esses aspectos constituintes do trabalho confirmam um preceito primeiro do design gráfico, aquele que supõe um outro, um alguém a ser comunicado, ou um grupo de pessoas a ser informado. Um leigo, enfim, que não somente será capturado, mas instigado por suas imagens, e que ainda será devidamente informado de coisas triviais, mas muito precisas, como local, data e hora dos concertos realizados pela magnífica orquestra, lado a lado, e sem esquecer o devido destaque, aos compositores, suas obras, condutores e solistas dos espetáculos.

Kiko Farkas – neto de Desidério Farkas, o fundador da Fotoptica, filho de Thomaz Farkas, notável fotógrafo de origem húngara como László Moholy-Nagy, que tanto repercute em suas fotos – nasceu, como se vê, em família ligada à imagem. Fosse por sua produção, por seu enquadra mento, por seu comércio, a imagem lhe foi o centro de casa.

“Havia um laboratório de fotos em que meus irmãos mais velhos se enfurnavam às vezes a noite inteira. Não tinha muita paciência para aquilo e preferia a biblioteca e a discoteca do meu pai ondedurante muitos anos descobri coisas maravilhosas. Quer um exemplo? Que tal a coleção completa da revista Graphis? Ou ainda todos os anuários da mesma editora? Livros do Saul Steinberg? Lá estavam... HQ da Barbarella? Lá estava. Salvador Dalí? Também. Álbum de cartazes art déco. A coleção de arte antiga da editora Skira, onde as imagens são impressas a sete cores com dourado e azul especial, estava lá.”

Kiko teve também uma formação artística:

“Tive aulas com o Luiz Paulo Baravelli, o Frederico Nasser e o Carlos Fajardo. Na fau, em 1977, comecei a fazer gravura em metal no ateliê do Sérgio Fingermann. Lá havia também um ateliê de aquarela e xilogravura com a Renina Katz. Em 1979, passei um ano em Nova York no Arts Students League, estudando com um professor que tinha sido aluno do Georg Grosz. Era desenho de modelo vivo todo dia de manhã, em escala natural. Foi um aprendizado incrível, aprender a olhar. Nesse período, desenhei todos os dias, praticamente todo o tempo, fazendo aquarelas, gravuras, cadernos de anotação”.

Assim, leitores, o notável conjunto – por quantidade e qualidade, ambas condicionadas pelo tempo de realização – nos remete à recorrente questão: é arte ou é design?

Muitos binômios foram, ao longo dos tempos, articulados em oposição no campo das realizações gráficas. Arte e design é certamente um dos mais reincidentes. Na Bauhaus, grande matriz moderna do ensino de design, arte e técnica se combinaram em sua guinada pelo rigor construtivo que passou a orientar sua produção a partir de exposição de 1923. Por esse caminho, abriu-se a porta para o construtivismo e posteriormente para a arte concreta como matriz do pensamento moderno na arquitetura, no design e nas artes gráficas. E foi por esse caminho, ainda, que se optou por uma definição do design em oposição à arte. Os cartazes de Kiko dão margem a essa discussão.

Expressão pessoal e informação foram muitas vezes consideradas antagônicas, na maior parte das vezes em infeliz formulação, por se desconsiderar o grau de interferência dos aspectos simbólicos presentes em toda manifestação humana sobre o âmbito da comunicação, questão tratada por Katherine McCoy em seu artigo “Information and Persuasion: Rivals or Partners?”. No pequeno artigo publicado na revista Design Issues, a designer e ensaísta norte-americana desmonta definitivamente a ideia de que um aspecto possa se desvincular do outro.

Pouco importa, os cartazes em questão nos impõem o desvio da enfadonha questão. Como separar aqui campos tão irmanados? Mais vale nos concentrarmos no tipo de matéria de que se vale o autor. De que natureza foram seus instrumentos conceituais e técnicos? Quais os recursos de que dispôs? Esses, sim, alguns dos tópicos merecedores da nossa reflexão.

Ainda outro, talvez dos mais significativos no campo do design gráfico, diz respeito a “identidade”. Central à atividade, nada do que se faça em design gráfico deixa de considerar, em algum grau, por vezes em seu mais determinante grau, a questão da identidade.

Já que o conjunto de cartazes articula função tão claramente identitária, ao longo da imensa coleção Kiko torna possível a construção coesa de uma linguagem que, por fim, se mimetiza com a própria natureza do fenômeno a que se refere – as manifestações musicais da Osesp. Aqui ecoa, de certo modo, o que Walter Gropius se propunha na sua Bauhaus:

“O principal fundamento da Bauhaus é a ideia de uma nova unidade; uma conjunção das artes, estilos e aparências formando uma unidade indivisível. Uma unidade completa em si mesma, cujo significado somente é gerado através do vigor da vida.”

Expressão subjetiva, puro ensaio pictórico? Rigor estrutural revelado pelo uso da tipografia? Em que medida uma característica atende à outra, ou em qual medida entram em colisão? Em que medida o valor estético se impõe ao manejo dos processos técnicos? E, no sentido contrário, quando a técnica provê uma solução? Por fim, qual o grau de controle do processo exercido por Kiko e sua equipe em obra dotada de tamanha vitalidade? Essas questões permanecem no horizonte da nossa reflexão e nos conduzem a outras: quais as suas referências? Quais se manifestam nessa imensa produção? Alguma pista, segundo Kiko:

“O primeiro desenho que me marcou foi o Tintin. Até hoje fico besta com a clareza e economia do Hergé. A primeira grande referência entre os designers foi sem duvida Milton Glaser. [...] Outra referência fortíssima foi Saul Steinberg. [...] Depois descobri os poloneses, entre eles Roman Cieslewicz e Henryk Tomaszewski, e os outros, Paul Rand, A. M. Cassandre, Shigeo Fukuda.”

Nenhum nome vinculado ao chamado Estilo Internacional é citado. Armin Hofmann, Karl Gerstner ou Josef Müller-Brockmann não aparecem, até porque, por questão cronológica, nenhum deles poderia estar mais diretamente vinculado à sua formação. Mas é por aquele caminho, em meio a tamanha experimentação formal, que podemos notar certa persistência do moderno. Se as referências de Kiko remetem à precisão do traço de Hergé, ao lirismo e ao humor de Steinberg, à liberdade polonesa ou aos experimentos matisseanos de Paul Rand, ainda assim aqueles outros não citados lá se fazem presentes, embora Kiko não lhes deva nada. Mas então a quem deveria? Afinal, nada surge do nada, a vida se apresenta constantemente contendo traços do passado, ainda que entranhados em seu novelo, sem contorno muito nítido. Ainda assim, lá estão eles, em meio à nossa atitude – dos designers – diante dos projetos, em meio à nossa compreensão sobre os modos do como agir.

Não há outra maneira de se referir a esse tipo de fenômeno a não ser como a continuidade daquilo que é, por princípio, descontínuo – a vida. Essa não seria uma maneira de se refletir sobre essa obra para poder dela retirar algo que a transcenda, caminhando em direção a uma maior compreensão do que seja design?

Primeiramente, não nos devemos enganar e conduzir essa análise como algo que possa revelar um mesmo procedimento de conceituação, ou de projeto, como queiram. O conjunto de cartazes constitui diferenciadas séries que revelam diferentes partidos. Diferentes jogos de linguagem.

O designer é, antes de tudo, um manipulador de linguagens. Diante de cada problema apresentado, um conjunto entrelaçado de situações vem à baila, em um processo de perscrutação quase tátil. Identificam-se seus principais atores, em geral um demandante – um cliente – que almeja comunicar-se, para fins variados, com um determinado grupo de indivíduos – o público. Mas essa cena não se limita à participação de dupla tão conhecida. No cenário onde vai ser gestada uma determinada forma de comunicação, múltiplas vozes vão ali se articular: o designer, com suas habilidades específicas, condicionado por sua história pessoal e por toda sua carga eletiva baseada em afeto; a história do design gráfico vai contracenar, ora como pano de fundo, ora como referência explícita; as possibilidades tecnológicas; o objeto em si dessa comunicação... Enfim, em uma situação específica de projeto, serão muitas, inevitavelmente, as vozes que irão sobressair ou se misturar em acorde por vezes dissonante, por vezes harmônico.

Portanto, manipulador de linguagem fomentada por uma natureza muito diversa de estímulos, o designer será, sem dúvida, o maestro dessa polifonia. E sua escolha e decisão – sobre a natureza da imagem, sobre os elementos da tipografia, sobre a técnica de representação – serão determinantes nos resultados do trabalho.

Assim, Kiko confere a todos os cartazes a sua marca, mas como ela será de fato, se a forma tanto varia e os habituais traços de identidade se transformam a cada nova série? O que se evidencia não é o seu traço de ilustrador, mas sua identidade de designer. O designer que, em face daquela miríade de informações, determina caminhos, andamentos e intensidades. E no conjunto se revela reiteradamente uma constante que, por fim, se estabelece como sua identidade comum.

O sonho de “uma relação íntima entre as artes plásticas e a música”, expresso pelo maestro John Neschling, o mais direto responsável pela oportunidade utilizada sem parcimônia por Kiko, proporcionou, em seu dizer, a possibilidade na qual “nós, da orquestra, teremos a honra de nos mostrar, fazer ver e não de nos fazer ouvir”. Aqui, enganou-se o maestro. Os cartazes para a Osesp repercutem sons, remetem a sequências rítmicas e tonais.

Na Bauhaus, nas experiências formais e na reflexão teórica conduzidas por Vassíli Kandinski, observa-se uma recorrente alusão às relações entre imagem e som, quando o artista estabeleceu relações diretas entre a natureza das formas, seus elementos e as relações que os governam. Estão lá, relatados com precisão: ritmo, contraste e proporção. De que é feita a vida se não de relações dessa natureza? De que tipo de relações constitui a música? É assim que Giulio Carlo Argan se refere à celebrada pintura de Kandinski, afirmando que sua pintura não necessita de um referente para sensibilizar o público, sua abstração a que nada refere encontra nas pessoas algo em comum. Embora não haja traço de algo do mundo real e concreto ali retratado, Kandinski consegue emocionar, provocar a reação de pessoas que, de algum modo, se relacionam sem intermediários com os sentimentos ali expressos.

“Da realidade em que o pintor, como qualquer outro, está mergulhado, ele não recebeu nem reteve senão imagens caducas, fragmentárias, desconexas; não de objetos definidos, mas de coisas paradas ou móveis, aguadas ou arredondadas, filiformes ou expandidas. Essas impressões não servem para reconhecer os objetos e menos ainda para representá-los, interessam [grifo do autor] ao sujeito, cuja existência também é constituída de êxtases e movimentos, tensões e distensões, e se realiza em um ambiente igualmente constituído por êxtases e movimentos, tensões e distensões.”

Se a operação conceitual e pictórica de Kiko Farkas guarda alguma semelhança com o exposto a respeito de Kandinski, disso, no entanto, não resulta um mero jogo sintático. Muita significação é por ele agregada, que faz a mesma operação: vibração rítmica somada a imagens selecionadas que ora ressaltam o lirismo de uma sessão anunciada, ora as rupturas tonais de outra.

Sobre a captura da imagem, ou sobre sua invenção é fundamental se perguntar: qual a decisão que se deu na escolha de uma borboleta, de um círculo, ou de uma foto da cidade de São Paulo? Para nosso propósito, não importa a imagem, já que nos interessa o autor e suas escolhas. Porque, necessário reafirmar, estamos diante de um designer-autor. Não um daqueles que gostaria de se perder no anonimato de caráter universal pretendido pela arte concreta, não! Kiko se situa simultaneamente no moderno e no contemporâneo, que contém a crítica ao moderno. Portanto, desde que sua voz se manifeste límpida, com característica autoral, no resultado de seus cartazes – lá está sua assinatura, tal qual Paul Rand assinava, tal qual Ivan Chermayeff assina, tal como Milton Glaser ainda o faz –, importa saber o que move a seleção ou a criação desta ou daquela outra imagem que lhe vai servir de mote para seu exercício gráfico.

Aí não importa de onde veio a imagem, importa o olhar. O olho que determina um enquadramento, que avalia sua possível utilização, seu rendimento como textura, mas também como modo de capturar outros olhos, o olhar do homem comum, do observador disponível, do leigo. Esse olhar, o que seleciona, é culto, sem dúvida. É elaborado, pois reafirma todo o cabedal de informação que lhe confere a formação de designer. É o que o pesquisador inglês Nigel Cross chama de “designerly ways of knowing”. Esse olhar culto, elaborado, é fruto da trajetória pessoal de Kiko e do seu exercício como designer, que tem que ceder às circunstâncias especiais de cada projeto – suas limitações tecnológicas e temporais, além da necessária e precisa informação a ser repassada.

Desse modo, eis aqui alguns dos procedimentos adotados nesses múltiplos jogos de linguagem consubstanciados nas séries de cartazes:

a. imagens repetidas em proporções diversas, cuja disposição no espaço dado remete à repetição sistemática da construção musical;

b. formas orgânicas que contêm outras formas orgânicas da mesma espécie, reproduzindo estampas que se multiplicam em diferentes escalas;

c. texturas orgânicas conjugadas a formas geométricas e que escapam das formas que as encerravam, acentuando o contraste;

d. texturas irregulares, ainda que organizadas segundo algum padrão, que proporcionam o contorno para outras formas orgânicas;

e. exercícios com linhas que criam superfícies cujas posições se alternam através de dobraduras, torções e justaposições, estabelecendo ritmos e evoluções musicais;

f. o contraste proporcionado pela ordem tipográfica em contraste com o traço resultante do movimento gestual;

g. o dripping, homenagem direta ao controlado acaso desenvolvido por Jackson Pollock, conjugado à ordem precisa da tipografia;

h. imagens encontradas pelo olhar atento, sejam elas capturadas por outros, seja pelo próprio autor, não importa;

i. tramas quadrangulares conjugadas com tramas regulares de círculos, com um jogo de trazer para a frente, levar para trás, obtendo formas sempre originais;

j. o jogo contrastante entre escalas radicalmente diferentes da tipografia, à maneira de Aaron Burns; entre tantos outros...

Retornando à tese sobre a persistência do moderno no trabalho de Kiko, é nítida a presença, como pano de fundo, muito marcante aliás, daqueles mestres do Estilo Internacional – Emil Ruder, Josef Müller-Brockmann, Armin Hofmann e Karl Gerstner –, expressão cunhada para definir um tipo de jogo linguístico elaborado ao longo dos anos 1950-60, originado na Suíça, quando a ideia de sistema era central no design gráfico. Todos eles, naquela época, dedicaram-se a uma produção ímpar na história da linguagem gráfica, em que a noção de estrutura determinava a ordem tipográfica, conjugada com exercícios rítmicos e de contraste. Não por acaso, alguns de seus mais importantes cartazes dizem respeito a apresentações musicais.

Por mais que esta série de cartazes desenvolvida para a Osesp seja absolutamente original, livre, e carregada de uma intensa expressão pessoal, seu resultado está fortemente impregnado dessa cultura, talvez a mais emblemática do design gráfico moderno. Por essa razão, é que o trabalho aqui apresentado se inclui na experiência do design como um todo, não sendo possível impingir-lhe qualquer tipo de rótulo, a não ser o de ser um partícipe, dos melhores, junto àqueles dessa grande trajetória.

Livre, investigativo, propositor de novas formas, reciclador de velhas formas, Kiko ainda acrescenta algo que se situa, talvez, no centro, no verdadeiro eixo da atividade: a tipografia como protagonista. Ainda que por vezes sua presença seja aparentemente complementar à imagem, este é um trabalho que não se finaliza, que não se concretiza na fruição de um único exemplar dessa imensa série. Há algo que, se supõe, seja contínuo, que se realimenta da experiência passada – no último concerto, você viu? – e que pavimenta o caminho para a leitura futura. Nesse sentido, a tipografia é protagonista. A chave é o jogo de contrastes, as precisas guias de ordenação, os conjuntos de massa gráfica configurados por essas pequeninas coisas que nos servem para dizer tanto: letras transformadas em tipografia.

Por essas e outras, Kiko Farkas é sobretudo um designer. Sua destreza lhe autoriza um raro grau de liberdade no controle dos seus sistemas. Ao longo de seu caminho, com o olhar tão diversamente orientado, Kiko segue imerso no que se pode nomear, sem dúvida, como a tão notável cultura do design.



João de Souza Leite é designer, com doutorado em Ciências Sociais pelo Instituto de Filosofia e Ciências Humanas da UERJ (2006). Leciona no Departamento de Artes e Design da PUC-Rio e na Escola Superior de Desenho Industrial Esdi. Entre seus trabalhos escritos estão Design: entre o saber e a gramática e A herança do olhar: o design de Aloisio Magalhães (pesquisa, organização e textos), ambos premiados pelo Museu da Casa Brasileira (2003/2004). Dedica-se ao estudo de tópicos em design gráfico, gestão, história, epistemologia e cognição em design.


O texto acima foi publicado no livro Cartazes Musicais de Kiko Farkas, recém-lançado pela editora Cosac Naify.

26.3.10

Sonar from Renaud Hallée on Vimeo.

22.3.10

O Segredo dos Seus Olhos merece prêmio. Não o Oscar, porque Oscar não é parâmetro para ninguém. Personagens bem construídos, profundos, humanos. A direção bebeu em Almodovar e contou muito bem a história, indo e vindo na linha do tempo. O que abriu espaço para se falar sobre memória e lembranças. Mas chega de falar das coisas boas do filme, elas pulam à tela e todos conseguem evidenciar.

E o único deslize no filme foi do roteirista. Ou do diretor. Que não conseguirame explicar porque um homem tão malandro e desenrolado trava ao se declarar para sua amada mesmo quando ela o coloca contra a parede. Inverrossímil para um filme tão realista. Mas vá lá. Nada é perfeito.



5.3.10

Para brincar com o efeito do video abaixo clique aqui.
Acredite, são cenas reais.

The Sandpit from Sam O'Hare on Vimeo.

23.2.10

16.2.10

Num tá fazendo nada nesse verão? Desenha uma estampa de Havaianas que você ganha uma viagem. Clica aqui

30.1.10

Você conhece o grooveshark? Conhece? E como é que não me avisou??? É a rádio que você monta do seu jeito...nada de ficar ouvindo artistas similares que a last.fm impõe aos seus ouvidinhos...

clica aqui, véi!

24.1.10

19.1.10

5.1.10

Ela é fotógrafa e no começo do site tem um texto sobre o trampo dela. Vai .

30.12.09

Feliz ano novo, pessoal.

17.12.09

15.12.09









Mais trabalhos do ilustrador finlandês megafodão Klaus Haapaniemi aqui.

8.12.09

A luz é como a água
Por Gabriel García Márquez



No Natal os meninos tornaram a pedir um barco a remos.

— De acordo — disse o pai —, vamos comprá-lo quando voltarmos a Cartagena.

Totó, de nove anos, e Joel, de sete, estavam mais decididos do que seus pais achavam.

— Não — disseram em coro. — Precisamos dele agora e aqui.

— Para começar — disse a mãe —, aqui não há outras águas navegáveis além da que sai do chuveiro.

Tanto ela como o marido tinham razão. Na casa de Cartagena de Índias havia um pátio com um atracadouro sobre a baía e um refúgio para dois iates grandes. Em Madri, porém, viviam apertados no quinto andar do número 47 do Paseo de la Castellana. Mas no final nem ele nem ela puderam dizer não, porque haviam prometido aos dois um barco a remos com sextante e bússola se ganhassem os louros do terceiro ano primário, e tinham ganhado. Assim sendo, o pai comprou tudo sem dizer nada à esposa, que era a mais renitente em pagar dívidas de jogo. Era um belo barco de alumínio com um fio dourado na linha de flutuação,

— O barco está na garagem — revelou o pai na hora do almoço.— O problema é que não tem jeito de trazê-lo pelo elevador ou pela escada, e na garagem não tem mais lugar.

No entanto, na tarde do sábado seguinte, os meninos convidaram seus colegas para carregar o barco pelas escadas, e conseguiram levá-lo até o quarto de empregada.

— Parabéns — disse o pai. — E agora?

— Agora, nada - disseram os meninos. — A única coisa que a gente queria era ter o barco no quarto, e pronto.

Na noite de quarta-feira, como em todas as quartas-feiras, os pais foram ao cinema. Os meninos, donos e senhores da casa, fecharam portas e janelas, e quebraram a lâmpada acesa de um lustre da sala. Um jorro de luz dourada e fresca feito água começou a sair da lâmpada quebrada, e deixaram correr até que o nível chegou a quatro palmos. Então desligaram a corrente, tiraram o barco, e navegaram com prazer entre as ilhas da casa.

Esta aventura fabulosa foi o resultado de uma leviandade minha quando participava de um seminário sobre a poesia dos utensílios domésticos. Totó me perguntou como era que a luz acendia só com a gente apertando um botão, e não tive coragem para pensar no assunto duas vezes.

— A luz é como a água — respondi. — A gente abre a torneira e sai.

E assim continuaram navegando nas noites de quarta-feira, aprendendo a mexer com o sextante e a bússola, até que os pais voltavam do cinema e os encontravam dormindo como anjos em terra firme. Meses depois, ansiosos por ir mais longe, pediram um equipamento de pesca submarina. Com tudo: máscaras, pés-de-pato, tanques e carabinas de ar comprimido.

— Já é ruim ter no quarto de empregada um barco a remos que não serve para nada.
— disse o pai — Mas pior ainda é querer ter além disso equipamento de mergulho.

— E se ganharmos a gardênia de ouro do primeiro semestre? — perguntou Joel.

— Não - disse a mãe, assustada. — Chega. O pai reprovou sua intransigência.

— É que estes meninos não ganham nem um prego por cumprir seu dever — disse ela —, mas por um capricho são capazes de ganhar até a cadeira do professor.

No fim, os pais não disseram que sim ou que não. Mas Totó e Joel, que tinham sido os últimos nos dois anos anteriores, ganharam em julho as duas gardênias de ouro e o reconhecimento público do diretor. Naquela mesma tarde, sem que tivessem tornado a pedir, encontraram no quarto os equipamentos em seu invólucro original. De maneira que, na quarta-feira seguinte, enquanto os pais viam O Último Tango em Paris, encheram o apartamento até a altura de duas braças, mergulharam como tubarões mansos por baixo dos móveis e das camas, e resgataram do fundo da luz as coisas que durante anos tinham-se perdido na escuridão.


Na premiação final os irmãos foram aclamados como exemplo para a escola e ganharam diplomas de excelência. Desta vez não tiveram que pedir nada, porque os pais perguntaram o que queriam. E eles foram tão razoáveis que só quiseram uma festa em casa para os companheiros de classe.

O pai, a sós com a mulher, estava radiante. — É uma prova de maturidade — disse.

— Deus te ouça — respondeu a mãe.

Na quarta-feira seguinte, enquanto os pais viam A Batalha de Argel, as pessoas que passaram pela Castellana viram uma cascata de luz que caía de um velho edifício escondido entre as árvores. Saía pelas varandas, derramava-se em torrentes pela fachada, e formou um leito pela grande avenida numa correnteza dourada que iluminou a cidade até o Guadarrama.

Chamados com urgência, os bombeiros forçaram a porta do quinto andar, e encontraram a casa coberta de luz até o teto. O sofá e as poltronas forradas de pele de leopardo flutuavam na sala a diferentes alturas, entre as garrafas do bar e o piano de cauda com seu xale de Manilha que agitava-se com movimentos de asa a meia água como uma arraia de ouro. Os utensílios domésticos, na plenitude de sua poesia, voavam com suas próprias asas pelo céu da cozinha. Os instrumentos da banda de guerra, que os meninos usavam para dançar, flutuavam a esmo entre os peixes coloridos liberados do aquário da mãe, que eram os únicos que flutuavam vivos e felizes no vasto lago iluminado. No banheiro flutuavam as escovas de dentes de todos, os preservativos do pai, os potes de cremes e a dentadura de reserva da mãe, e o televisor da alcova principal flutuava de lado, ainda ligado no último episódio do filme da meia-noite proibido para menores.

No final do corredor, flutuando entre duas águas, Totó estava sentado na popa do bote, agarrado aos remos e com a máscara no rosto, buscando o farol do porto até o momento em que houve ar nos tanques de oxigênio, e Joel flutuava na proa buscando ainda a estrela polar com o sextante, e flutuavam pela casa inteira seus 37 companheiros de classe, eternizados no instante de fazer xixi no vaso de gerânios, de cantar o hino da escola com a letra mudada por versos de deboche contra o diretor, de beber às escondidas um copo de brandy da garrafa do pai. Pois haviam aberto tantas luzes ao mesmo tempo que a casa tinha transbordado, e o quarto ano elementar inteiro da escola de São João Hospitalário tinha se afogado no quinto andar do número 47 do Paseo de la Castellana. Em Madri de Espanha, uma cidade remota de verões ardentes e ventos gelados, sem mar nem rio, e cujos aborígines de terra firme nunca foram mestres na ciência de navegar na luz.

3.12.09

25.11.09

Hoje descobri o trampo dessa mina, Stina Persson. Além de fodona, é sueca. Pense...







Para ver mais, clique aqui

17.11.09



Com vocês, o homem-legenda.

14.11.09

Um argumento genial. Filme de José Roberto Torero. 1996. Aproveite.


11.11.09

Um publicitário parodiou Chico Buarque sobre as mazelas da profissão. Outro gostou e musicou. Aí jogaram na rede. Pena que só publicitário vai rir...

Daft Chico

5.11.09

O que Obama, Anjelina Jolie, Bender e House usariam se estivessem na sua cidade? Descubra aqui.

Quem vive em set de publicidade ou já foi a alguns, sabe que o Brasil está cheio de bons profissionais de audiovisual. Temos diretores de arte, cenógrafos, figurinistas, maquiadores, fotógrafos de primeira linha. Mesmo tendo uma indústria do cinema tão capenga que precisa se apoiar na produção publicitária pra sobreviver.

Por isso vá ver Besouro. A história não é lá essas coisas. Mas a parte técnica do filme, minha nossa senhora, deixa qualquer um de boca aberta.

3.11.09

Quem em plena sobriedade pensaria em desenvolver um buscador web nos tempos de Google? Pois é, pensaram. Chama-se spezify.com. Mas tem uma engine bem diferente da do google e mostra resultados de videos do YT, tweets, imagens, notícias. É divertidinho. Vale para aqueles 2 minutos preguiçosos antes de voltar a trabalhar.
Ser goiano não ajuda o currículo de ninguém. Pelo contrário. Acho que isso está bem claro para todo mundo. É por isso que vale a pena dar uma olhada no trabalho do Rodrigo. Ele foi o responsável pela imagem abaixo, uma tela em que ele mostra uma de suas milhares de máquinas que criam alguma coisa. Tem as que criam florestas, nuvens, sonhos. Se na sua cidade tem CAIXA Cultural, fique atento à programação. Vale a pena gastar uma horinha com esse comedor de empadão.

30.10.09

Já estamos cansados de ver roteiros com a mesma fórmula. Pois é, mas este é mais um. Sabe aquela velho truque de algo inusitado acontecer com o protagonista e isto lhe levar a situações fantásticas? Este é mais um filme assim. Os plot points são previsiveis: ele primeiro renega sua condição, procura ajuda, depois se conforma com ela. Rebobine, por favor é assim. O curioso caso de Benjamin Button é assim. Super-homem é assim. E tantos outros. Mas acho que quando a situação é estranhamente encantadora e a direção de arte primorosa, vale a pena insistir na produção de uma fórmula. Bem-vindos à fórmula bem feita.

Skhizein (Jérémy Clapin,2008) from Stephen Dedalus on Vimeo.

29.10.09

Ontem rolou o Dia Internacional de Animação em mais de 400 cidades do Brasil e em sei lá quantas nesse mundão de meu deus. Ponto positivo para a organização: 400 cidades! Mas a divulgação foi péssima. Mudaram o horário de início da sessão de 19h30 para 19h15. E quem chegou, como eu, às 19h30, viu uma sala com problemas técnicos. Uma sala como a do embracine não pode ter problemas técnicos. Bom, acho que o DIA vem ganhando corpo. O número de cidades aumentou, conseguiram um espaço de ponta, colocaram um caboquinho na porta, fizeram convites, mas ainda há muito para se tornar um dia expressivo para a animação. Um ponto que acho fundamental é melhorar a seleção de filmes. Ontem vi muita coisa de baixa qualidade, experimental ou não. Seleções fortes praticamente garantem a diversão. O público sabe que vai ver coisa boa. E nesse mundo automatizado com consumidores que não querem ser irritados, isso é essencial. Poucos são os que saem de casa para se arriscarem em filmes que eles não sabem a qualidade. A galera gosta mesmo é da garantia. O cinemark, o UCI e afins lotam porque as pessoas sabem que tem estacionamento, que o ar funciona, que a projeção e o som são bons, que a pipoca entupirá suas veias com quilos de gordura hidrogenada, o que com as altas doses de açúcar da coca, vai nocautear seus cérebros. São poucos os que se arriscam a sair da rotina. Ainda mais quando o assunto é lazer, aquele tempo cada vez mais escasso e que por isso as pessoas valorizam tanto. Passar um final de semana sem fazer nada agradável é como passar um final de semana com depressão. Temos que pensar nisso no próximo DIA.

28.10.09

27.10.09

Amanhã é o DIA – Dia Internacional da Animação. Me desculpem mas meus dedos não resistiram a esse trocadalho. Foi inevitável. O que também deve ser a presença de vocês nesse festival que vai rolar no mundo todo e em várias cidades brasileiras. Uma oportunidade para ver animação que não seja da Disney/Pixar, Dreamworks ou outra que explore ao máximo a mesma vertente de animação, sabe? Essa coisa superbemacabada com roteiro com personagens infantis fofinhos mas com piadas adultas que é para os pais rirem também. Nada contra, mas há outras coisas que seus olhos merecem ver. Clique aqui para ver a programação na sua cidade.

21.10.09

9.10.09

Ainda é uma cópia de visualização, ainda sem ser renderizada totalemnte, mas vale a pena ver. Boa sexa!

JumpTrumpRumpBump from Molasses Murphy on Vimeo.

6.10.09

Pink Ribbon - Twee Vriendinnen from Grey Amsterdam on Vimeo.

Compton, califórnia - Brasília em 17 anos. Esse foi o tempo que demorou pro Krump chegar aos meus ouvidos. Mas isso é o de menos. O Krump é uma dança urbana derivada do hip-hop. Ela não deriva do hip-hop exatamente, como dizer? Melhor ver do que ler. para mim, o MJ foi o primeiro krump dancer do mundo, embora ele tenha jogado no easy. O Krump ganhou tanta força que os caras criaram até uma comunidade a Krump Kings, com um krumptionary e tudo. Dá o play aí.

2.10.09

1.10.09

Há algum tempo atrás eu postei um vídeo dos cabocos da Sambô, uma bandinha de pagode que fazia versõess de clássicos do rock. Mas esse caboco agora se superou.


28.9.09

24.9.09

23.9.09

As agências de publicidade são assim.

3.9.09

2.9.09








25.8.09

Vi Brüno ontem. Gastei uns 15 minutos pensando sobre o filme e o que poderia escrever aqui. Mas não vale a pena. Seria um esforço jogado fora, meu e de vocês. Então coloquei um vídeo que vale muito a pena ser visto.


17.8.09

Faz 5 anos que eu trabalho em um roteiro de um curtíssima metragem. Foram 20 versões, não sei quantas alterações, para ontem, quando fui montar o vídeo, o hd do meu mac me dizer que não sabia onde estava o arquivo. Caraaaaaaaaaaaaai, eu mato o Steve Jobs.
Ilustra bem bacana. Dá uma olhada.

24.7.09

17.7.09

15.7.09

7.7.09

We Have Band - You Came Out (The Making Of) from We Have Band on Vimeo.

We Have Band - You Came Out (Official Music Video) from We Have Band on Vimeo.

Quem curte fazer videoperformances ganhou um bom aliado, o programa quase-cinema, desenvolvido pelo artista plástico brasiliense Alexandre Rangel. Nele, dá para editar vídeos e aúdios em tempo real. Bacana e fácil de usar. Ah, o programa tem o código aberto, pode abaixar à vontade.

Quase Cinema

6.7.09

Uma última homenagem a MJ e não se fala mais nisso.
A New Balance faz produtos excelentes, a Topper também(alguns, somente), a Mizuno idem. Mas, tirando a Adidas, nenhuma consegue nem chegar perto da magia da Nike. Sabe por quê? Os caras abusam de conceitos cinematográficos. Esse vídeo podia ser fácil um documentário sobre futebol, principalmente a primeira parte. Dá uma olhada.




2.7.09