Depois de 6 indicações, finalmente chegou a vez dela. E não é por peninha da Academia. Winslet arrebenta e arrebata em O Leitor. Com extrema facilidade passeia entre uma alemã fria, fechada e uma mulher meiga, doce e apaixonante. Consegue, em um filme com muita nudez, tirar a atenção do corpo e focar nos sentimentos delicados e ásperos da personagem. Ralph Fiennes manda bem sendo o já batido lorde inglês. A fotografia não inventa e joga simples. Os outros coadjuvantes também não atrapalham.
Mas e o roteiro? Você deve estar se perguntando. A história não é boba, mas também não requer um gênio muito desenvolvido para compreendê-la. E está nos muitos tons de cinzas que o diretor dá para a história que a deixam charmosa, interessante e impossível de ser rotulada de piegas.
Não entra no meu top 10 mas vale muito a pena ver.
20.2.09
18.2.09
Por GAYDEN WREN
Do Hollywwod Watch
O que é mais importante lembrar: essas apostas não dizem respeito a "quão boa foi a atuação", mas a "quem deve vencer o Oscar". E não se trata de quem você acha que deve vencer, porque os eleitores da Academia não são como você ou seus amigos. Eles assistem a mais filmes e os assistem como pessoas de dentro da indústria, o que significa que eles têm mais consciência do mecanismo por trás da mágica e, portanto, ficam mais impressionados quando a mágica supera o mecanismo.
Eles também conhecem os indicados, motivo pelo qual pessoas mais queridas tendem a vencer as menos apreciadas, como quando Alan Arkin superou Eddie Murphy na categoria de melhor ator coadjuvante há dois anos, apesar das atuações parecerem sugerir o contrário. Todos os eleitores trabalham na indústria cinematográfica americana, o que significa que preferem premiar filmes americanos em vez de estrangeiros e preferem filmes com grandes equipes e elencos do que os independentes, feitos com orçamento minúsculo, porque são os filmes grandes que criam mais empregos na indústria cinematográfica americana.
Mas só é possível se colocar no lugar dos eleitores da Academia até certo ponto, e toda previsão no final representa pouco mais que um palpite. Dito isso, eis aqui nossos palpites.
Melhor filme
A disputa deve ficar entre "O Curioso Caso de Benjamin Button" e "Quem Quer Ser um Milionário?", representando respectivamente a grande produção de estúdio, repleta de astros, que Hollywood ama com sua cabeça -e sua carteira- e a produção independente pequena, fora do radar, que Hollywood ama com seu coração.
"Frost/Nixon" tem uma escala pequena demais para este prêmio, "Milk - A Voz da Igualdade" é considerado mais uma exibição de interpretação do que um filme brilhante e "O Leitor" perderá votos dos fãs de "Foi Apenas um Sonho", pois o consideram o segundo melhor filme de Kate Winslet no ano.
Qual levará o prêmio? Provavelmente "Benjamin Button": "Quem Quer Ser um Milionário?" é caloroso, mas a Academia não vai querer encorajar outros cineastas a terceirizarem suas produções para a Índia, de custos mais baixos.
Melhor diretor
Hollywood está cheia de gente que adora o talento narrativo e visual de David Fincher, mas detesta sua inclinação por temas sombrios e radicais como "Alien 3" (1992), "Seven - Os Sete Crimes Capitais" (1995) e "Clube da Luta" (1999). "O Curioso Caso de Benjamin Button" é o filme de Fincher pelo qual todos esperavam e ele lhe renderá um Oscar. Seu maior adversário é Danny Boyle, de "Quem Quer Ser um Milionário?", mas os melhores filmes de Boyle foram feitos fora de Hollywood, de forma que ele carece do eleitorado de Fincher.
Ron Howard, de "Frost/Nixon", é muito querido e apreciado por seu talento em produzir filmes, mas seu talento como diretor não é universalmente admirado, de forma que o Oscar por "Uma Mente Brilhante" (2001) parece suficiente para a maioria das pessoas. Gus Van Sant também tem grande apreço pelo estranho e toques de autopiedade, apesar de tê-los atenuado em "Milk - A Voz da Igualdade", e o geralmente respeitado Stephen Daldry sofre com o fato de "O Leitor" não ter sido muito visto.
Melhor ator
Há três candidatos sérios nesta categoria, que como sempre é muito forte. A indicação já é o Oscar de Richard Jenkins -um ator de composição veterano que está brilhante em "The Visitor", mas é uma interpretação sutil que carece de pirotecnia e, além disso, quase ninguém viu o filme. Sean Penn realiza seu trabalho excelente habitual em "Milk - A Voz da Igualdade", mas sua vitória nesta categoria em "Sobre Meninos e Lobos" (2003) ainda está fresca na lembrança dos eleitores.
Frank Langella, de "Frost/Nixon", é um veterano experiente que oferece uma interpretação de mestre como uma figura histórica real, tudo isso atraente para a Academia, assim como o retorno de Mickey Rourke em "O Lutador", que traz uma história de redenção pessoal, algo que sempre tem apelo em Hollywood, onde até mesmo os superastros sentem que estão a um passo em falso do status de "Por onde anda?". Em outro ano, Langella e Rourke seriam os prováveis vencedores, mas este é o ano de Brad Pitt.
Pitt há muito é admirado em Hollywood por investir em uma longa série de filmes sérios, artisticamente exigentes, em vez de lucrar com sua aparência. Além disso, ele mantém o foco em seu trabalho sem deixar a vida pessoal descrita nos tablóides engolir sua carreira. Em "O Curioso Caso de Benjamin Button", ele envelhece 80 anos - ao contrário!- e oferece uma forte interpretação sob camadas e camadas de maquiagem, algo que impressiona a maioria dos atores que compõem Academia.
Melhor atriz
Esta categoria, muitas vezes fraca, está forte neste ano, mas as cinco candidatas se resumem a apenas duas no final. A indicação de Melissa Leo por "Rio Congelado" lhe assegura melhores papéis e melhores salários, o que lhe servirá como premiação suficiente pela Academia. Angelina Jolie tem um trabalho sólido em "A Troca" de Clint Eastwood e a idéia de um Oscar para o casal, um para ela e um para Pitt, é sedutora, mas o filme foi ofuscado por "Gran Torino" do próprio Eastwood. Anne Hathaway ganhou imensa credibilidade artística por seu trabalho semi-improvisado em "O Casamento de Rachel" de Jonathan Demme, mas ela é jovem demais para vencer em uma categoria que geralmente prefere indicadas mais maduras.
O que deixa a maior indicada ao Oscar de todos os tempos, Meryl Streep, contra a mulher considerada a candidata mais provável a herdar sua coroa como "a melhor atriz não coroada de Hollywood", Kate Winslet. A atriz de 33 anos já conta com seis indicações, o dobro do que Streep tinha na idade dela. Mais importante, Winslet nunca ganhou, o que representa o segundo maior insulto em Hollywood: se ela não ganhar neste ano, ela ficará empatada com Deborah Kerr e Thelma Ritter como as atrizes mais indicadas sem nunca ganhar, e ficará atrás apenas de Peter O'Toole, que só perdeu sua sexta disputa quando tinha 49 anos. O trabalho de Streep em "Dúvida" é soberbo - o tipo de papel perfeito para o talento dela - e, após 26 anos sem ganhar um Oscar, ele seria merecido. Mas Winslet também merece, e ela levará o prêmio.
Melhor ator coadjuvante
Após sua assustadora interpretação como o Coringa em "Batman - O Cavaleiro das Trevas", a única coisa entre Heath Ledger e o Oscar é, ironicamente, a mesma coisa que o torna um grande favorito: ele está morto. Hollywood gosta de homenagear os astros que partiram, mas prefere reservar o Oscar para pessoas cujas carreiras serão beneficiadas pelo empurrão.
Se a lógica prevalecer, este é o ano de Josh Brolin. Sua atuação como o supervisor Dan White em "Milk - A Voz da Igualdade" consegue fazer o homem que atirou em Harvey Milk e no prefeito de San Francisco, George Moscone, parecer uma figura triste e até mesmo simpática, e seu trabalho talentoso em "Onde os Fracos Não Têm Vez" (2007) e "W." (2008) também não prejudica.
Michael Shannon é um novato "feliz apenas por ter sido indicado". A vitória de Philip Seymour Hoffman como melhor ator por "Capote" (2005) ainda é muito recente e o trabalho humorístico de Robert Downey Jr. em "Trovão Tropical" utiliza muito pouco do talento formidável do ator.
Dito tudo isso, a Academia não tem outra forma substancial de homenagear o filme de maior bilheteria do ano, "Batman - O Cavaleiro das Trevas", e Ledger se tornará apenas o segundo ganhador póstumo de um Oscar de interpretação.
Melhor atriz coadjuvante
Tradicionalmente a categoria mais aberta entre as seis principais, ela está novamente indefinida. Presumindo que Amy Adams e Viola Davis dividam os votos para "Dúvida" -é raro que uma candidata por um filme com duas indicadas na mesma categoria vença- a disputa ainda está bem aberta entre três tipos favoritos da Academia: a bela estrangeira, o talento emergente e a atriz de composição veterana despretensiosa.
Se Marisa Tomei não tivesse ganho o mesmo prêmio por "Meu Primo Vinny" (1992), ela ficaria com ele aqui. Dessa forma, Penélope Cruz, por "Vicky Cristina Barcelona", e Taraji P. Henson, por "O Curioso Caso de Benjamin Button", são ligeiramente favoritas. Cruz demonstrou nos últimos anos que sua beleza estonteante não a impede de ser uma atriz talentosa, e não prejudica estar em um filme de Woody Allen: ele é uma espécie de especialista nesta categoria, já tendo dirigido nove indicadas ao prêmio de melhor atriz coadjuvante, sendo que duas ganharam.
Mas Henson, que juntamente com Davis são as únicas duas afro-americanas indicadas nas grandes categorias neste ano, levará o prêmio por seu trabalho como a mãe adotiva do personagem-título de "O Curioso Caso de Benjamin Button".
Do Hollywwod Watch
O que é mais importante lembrar: essas apostas não dizem respeito a "quão boa foi a atuação", mas a "quem deve vencer o Oscar". E não se trata de quem você acha que deve vencer, porque os eleitores da Academia não são como você ou seus amigos. Eles assistem a mais filmes e os assistem como pessoas de dentro da indústria, o que significa que eles têm mais consciência do mecanismo por trás da mágica e, portanto, ficam mais impressionados quando a mágica supera o mecanismo.
Eles também conhecem os indicados, motivo pelo qual pessoas mais queridas tendem a vencer as menos apreciadas, como quando Alan Arkin superou Eddie Murphy na categoria de melhor ator coadjuvante há dois anos, apesar das atuações parecerem sugerir o contrário. Todos os eleitores trabalham na indústria cinematográfica americana, o que significa que preferem premiar filmes americanos em vez de estrangeiros e preferem filmes com grandes equipes e elencos do que os independentes, feitos com orçamento minúsculo, porque são os filmes grandes que criam mais empregos na indústria cinematográfica americana.
Mas só é possível se colocar no lugar dos eleitores da Academia até certo ponto, e toda previsão no final representa pouco mais que um palpite. Dito isso, eis aqui nossos palpites.
Melhor filme
A disputa deve ficar entre "O Curioso Caso de Benjamin Button" e "Quem Quer Ser um Milionário?", representando respectivamente a grande produção de estúdio, repleta de astros, que Hollywood ama com sua cabeça -e sua carteira- e a produção independente pequena, fora do radar, que Hollywood ama com seu coração.
"Frost/Nixon" tem uma escala pequena demais para este prêmio, "Milk - A Voz da Igualdade" é considerado mais uma exibição de interpretação do que um filme brilhante e "O Leitor" perderá votos dos fãs de "Foi Apenas um Sonho", pois o consideram o segundo melhor filme de Kate Winslet no ano.
Qual levará o prêmio? Provavelmente "Benjamin Button": "Quem Quer Ser um Milionário?" é caloroso, mas a Academia não vai querer encorajar outros cineastas a terceirizarem suas produções para a Índia, de custos mais baixos.
Melhor diretor
Hollywood está cheia de gente que adora o talento narrativo e visual de David Fincher, mas detesta sua inclinação por temas sombrios e radicais como "Alien 3" (1992), "Seven - Os Sete Crimes Capitais" (1995) e "Clube da Luta" (1999). "O Curioso Caso de Benjamin Button" é o filme de Fincher pelo qual todos esperavam e ele lhe renderá um Oscar. Seu maior adversário é Danny Boyle, de "Quem Quer Ser um Milionário?", mas os melhores filmes de Boyle foram feitos fora de Hollywood, de forma que ele carece do eleitorado de Fincher.
Ron Howard, de "Frost/Nixon", é muito querido e apreciado por seu talento em produzir filmes, mas seu talento como diretor não é universalmente admirado, de forma que o Oscar por "Uma Mente Brilhante" (2001) parece suficiente para a maioria das pessoas. Gus Van Sant também tem grande apreço pelo estranho e toques de autopiedade, apesar de tê-los atenuado em "Milk - A Voz da Igualdade", e o geralmente respeitado Stephen Daldry sofre com o fato de "O Leitor" não ter sido muito visto.
Melhor ator
Há três candidatos sérios nesta categoria, que como sempre é muito forte. A indicação já é o Oscar de Richard Jenkins -um ator de composição veterano que está brilhante em "The Visitor", mas é uma interpretação sutil que carece de pirotecnia e, além disso, quase ninguém viu o filme. Sean Penn realiza seu trabalho excelente habitual em "Milk - A Voz da Igualdade", mas sua vitória nesta categoria em "Sobre Meninos e Lobos" (2003) ainda está fresca na lembrança dos eleitores.
Frank Langella, de "Frost/Nixon", é um veterano experiente que oferece uma interpretação de mestre como uma figura histórica real, tudo isso atraente para a Academia, assim como o retorno de Mickey Rourke em "O Lutador", que traz uma história de redenção pessoal, algo que sempre tem apelo em Hollywood, onde até mesmo os superastros sentem que estão a um passo em falso do status de "Por onde anda?". Em outro ano, Langella e Rourke seriam os prováveis vencedores, mas este é o ano de Brad Pitt.
Pitt há muito é admirado em Hollywood por investir em uma longa série de filmes sérios, artisticamente exigentes, em vez de lucrar com sua aparência. Além disso, ele mantém o foco em seu trabalho sem deixar a vida pessoal descrita nos tablóides engolir sua carreira. Em "O Curioso Caso de Benjamin Button", ele envelhece 80 anos - ao contrário!- e oferece uma forte interpretação sob camadas e camadas de maquiagem, algo que impressiona a maioria dos atores que compõem Academia.
Melhor atriz
Esta categoria, muitas vezes fraca, está forte neste ano, mas as cinco candidatas se resumem a apenas duas no final. A indicação de Melissa Leo por "Rio Congelado" lhe assegura melhores papéis e melhores salários, o que lhe servirá como premiação suficiente pela Academia. Angelina Jolie tem um trabalho sólido em "A Troca" de Clint Eastwood e a idéia de um Oscar para o casal, um para ela e um para Pitt, é sedutora, mas o filme foi ofuscado por "Gran Torino" do próprio Eastwood. Anne Hathaway ganhou imensa credibilidade artística por seu trabalho semi-improvisado em "O Casamento de Rachel" de Jonathan Demme, mas ela é jovem demais para vencer em uma categoria que geralmente prefere indicadas mais maduras.
O que deixa a maior indicada ao Oscar de todos os tempos, Meryl Streep, contra a mulher considerada a candidata mais provável a herdar sua coroa como "a melhor atriz não coroada de Hollywood", Kate Winslet. A atriz de 33 anos já conta com seis indicações, o dobro do que Streep tinha na idade dela. Mais importante, Winslet nunca ganhou, o que representa o segundo maior insulto em Hollywood: se ela não ganhar neste ano, ela ficará empatada com Deborah Kerr e Thelma Ritter como as atrizes mais indicadas sem nunca ganhar, e ficará atrás apenas de Peter O'Toole, que só perdeu sua sexta disputa quando tinha 49 anos. O trabalho de Streep em "Dúvida" é soberbo - o tipo de papel perfeito para o talento dela - e, após 26 anos sem ganhar um Oscar, ele seria merecido. Mas Winslet também merece, e ela levará o prêmio.
Melhor ator coadjuvante
Após sua assustadora interpretação como o Coringa em "Batman - O Cavaleiro das Trevas", a única coisa entre Heath Ledger e o Oscar é, ironicamente, a mesma coisa que o torna um grande favorito: ele está morto. Hollywood gosta de homenagear os astros que partiram, mas prefere reservar o Oscar para pessoas cujas carreiras serão beneficiadas pelo empurrão.
Se a lógica prevalecer, este é o ano de Josh Brolin. Sua atuação como o supervisor Dan White em "Milk - A Voz da Igualdade" consegue fazer o homem que atirou em Harvey Milk e no prefeito de San Francisco, George Moscone, parecer uma figura triste e até mesmo simpática, e seu trabalho talentoso em "Onde os Fracos Não Têm Vez" (2007) e "W." (2008) também não prejudica.
Michael Shannon é um novato "feliz apenas por ter sido indicado". A vitória de Philip Seymour Hoffman como melhor ator por "Capote" (2005) ainda é muito recente e o trabalho humorístico de Robert Downey Jr. em "Trovão Tropical" utiliza muito pouco do talento formidável do ator.
Dito tudo isso, a Academia não tem outra forma substancial de homenagear o filme de maior bilheteria do ano, "Batman - O Cavaleiro das Trevas", e Ledger se tornará apenas o segundo ganhador póstumo de um Oscar de interpretação.
Melhor atriz coadjuvante
Tradicionalmente a categoria mais aberta entre as seis principais, ela está novamente indefinida. Presumindo que Amy Adams e Viola Davis dividam os votos para "Dúvida" -é raro que uma candidata por um filme com duas indicadas na mesma categoria vença- a disputa ainda está bem aberta entre três tipos favoritos da Academia: a bela estrangeira, o talento emergente e a atriz de composição veterana despretensiosa.
Se Marisa Tomei não tivesse ganho o mesmo prêmio por "Meu Primo Vinny" (1992), ela ficaria com ele aqui. Dessa forma, Penélope Cruz, por "Vicky Cristina Barcelona", e Taraji P. Henson, por "O Curioso Caso de Benjamin Button", são ligeiramente favoritas. Cruz demonstrou nos últimos anos que sua beleza estonteante não a impede de ser uma atriz talentosa, e não prejudica estar em um filme de Woody Allen: ele é uma espécie de especialista nesta categoria, já tendo dirigido nove indicadas ao prêmio de melhor atriz coadjuvante, sendo que duas ganharam.
Mas Henson, que juntamente com Davis são as únicas duas afro-americanas indicadas nas grandes categorias neste ano, levará o prêmio por seu trabalho como a mãe adotiva do personagem-título de "O Curioso Caso de Benjamin Button".
17.2.09
Essa iniciativa começou ano passado em São Paulo e agora se extende por algumas outras cidades do Brasil. É o Restaurant Week Brasil, onde, por duas semanas, vários restaurantes, incluindo os bons, servem pratos por R$25 + R$1 no almoço e R$39 +R$1 no jantar. O um real extra vai para o Ação Criança.
Em Brasília vai rolar entre 6 e 19 de Julho. Anote na agenda e confira a relação de restaurantes participantes.
A nota triste só vai para o nome do evento. Por que em inglês? Eu, hein...
Restaurant Week
Em Brasília vai rolar entre 6 e 19 de Julho. Anote na agenda e confira a relação de restaurantes participantes.
A nota triste só vai para o nome do evento. Por que em inglês? Eu, hein...
Restaurant Week
4.2.09
3.2.09
Eu ainda não sei como ainda tem gente que chama o Millôr de jornalista. Deve ser o automático. Porque Millôr deixou de ser jornalista há muito tempo. Basta acompanhar sua página na Veja. É artigo aquilo lá? É notícia? É análise? Não, não é nada disso. Millôr é artista há muito tempo. E dos bons. E dos modernos. Seu desenho é incrível,é de um refinamento agressivamente pós-moderno. E o que falar de seus textos? Impecáveis, como os de todos os bons jornalistas do passado. Millôr passeia tranquilamente pela literatura, pelas artes plásticas, pelas intervenções no maior semanário do país. Por isso, faço aqui um apelo: parem de rotular o caboco de jornalista. Ah, em tempo: leiam A verdadeira história do paraíso, publicado em 1972. Bom para quem gosta de desenho, de texto e dos dois ao mesmo tempo.
2.2.09
Um beijo roubado é uma bobajada só. O roteiro não decola e há muitas outras histórias de amor, traição, perdão e ódio melhores do que ela. Por todo o ranço que os filmes de amor carregam e provocam nas pessoas, você deve não querer ver esse filme. Mas vá. A fotografia é linda e realmente cria o clima que o filme precisa. A direção de arte também acerta no ponto. Norah Jones, que atua em seu primeiro filme, não tem o suceso de Paulo Miklos em O invasor, mas manda bem. E a trilha então? Comandada por Ry Cooder, traz muitos jazz bom. Se você gosta mesmo de cinema, vá ver Um beijo roubado, ignore o roteiro e delicie-se com as parcas cenas bem filmadas, uma fotografia excelente, uma arte idem e um som ibidem.
28.1.09
Geralmente, as boas livrarias e revistarias não vendem seus produtos na web. Eu não sei porquê. Talvez porque elas queiram manter a exclusividade do comprador e não sair vendendo para todo mundo. Ou porque os donos sejam uns manés que não sabem nem entrar na net. Ou porque sei lá. Enfim, a Comix, uma ótima loja de quadrinhos de SP está vendendo suas coisas pela web. Eu disse ótima porque os clássicos que estão à disposição são bem mixurucas e não tem nenhuma graphic novel...fueda. Mas enfim, já é um começo.
Comix
Comix
27.1.09
21.1.09
Vai logo lá ver o trampo de grafiti desses cabocos, Tha & Theti. Para ver mais trampos deles, vai na rua Pedro Taques, uma travessinha minúscula da Consolação. Se não estou ficando velho, a mesma rua do Drosophila. Ainda existe? Tô precisando ir a SP.
Itororó Gallery
Itororó Gallery
19.1.09

Com certeza vocês conhecem o trabalho do ilustrador Adão. Como fazia tempo que não via o trabalho dele, dei uma passada no blog dele e me diverti horrores. Vale a pena.
15.1.09
A Adidas acaba de lançar um blog pra linha de roupas Originals. Fala de cinema, moda, música, arte e, claro, esporte. Confere lá.
13.1.09
9.1.09
Começou com uma brincadeira mas que se espalhou por toda a agência e agora eu estou postando aqui. É o Radiohead Cup, uma tentativa de descobrir qual música brazuca também dá vontade de cortar os pulsos, chorar e esperar o sangue escorrer. As músicas foram sorteadas e vão duelar até a grande final.
No jogo 1 temos um representante do sertão sofrido, suado e muito Graciliano Ramos: Luiz Gonzaga contra nosso ex-ministro Gilberto Gil, super-homem (a canção). Assistam e votem!
No jogo 1 temos um representante do sertão sofrido, suado e muito Graciliano Ramos: Luiz Gonzaga contra nosso ex-ministro Gilberto Gil, super-homem (a canção). Assistam e votem!
7.1.09
Opa, hoje estou bastante musical. E como vocês já sabem, está passando o especial da Maysa na TV. Por coincidência, o show do Radiohead no Brasil está se aproximando e eu acabo de descobrir um pianista chamado Vitor Araujo. E o que isso tudo tem a ver? Ao ver o seriado, lembrei que Maysa é a Radiohead brasileira de 60/70, aliás, quase todos que fizeram samba-canção o são: Zé keti, Cartola, Jovelina Pérola Negra...e por aí vai.
Quem prefere uma referência mais atual pode dar uma sacada nesse pianista. O cara tá deixando os eruditos de cabelo em pé. É radiohead também.
Quem prefere uma referência mais atual pode dar uma sacada nesse pianista. O cara tá deixando os eruditos de cabelo em pé. É radiohead também.
5.1.09
22.12.08
Entonces, é hora de diversão. o melhor site de detonados, reviews, lançamentos para xbox, ps3, ds e psp:gamespot

Essa época é um saco. Você recebe 500 cartões de Natal, todos dizendo a mesma coisa. Mas, hoje recebi um muito interessante. É de uma dupla de artistas de SP amigos meus. É um apanhado da produção deles em 2008. Para ver o trampo in loco, vá a rua Pedro Taques, é descendo a consolação, umas 4 ou 5 ruas depois da paulsta. Não tem erro. Para quem não mora em SP, visite o site
17.12.08
É assim que define seu trabalho o fotógrafo francês JR. O que, basicamente, ele faz é passar meses em uma comunidade em situação de risco pelo mundo (aqui ele fotografou o Rio, mas também teve passagens pelo Sudão, Quênia e outros países africanos), fotografar pessoas interessantes, imprimir as fotos em telas enormes e montar a exposição nas paredes e escadarias da própria comunidade. Mas além da traquitana original JR revela e dá vazão à pessoas que vivem a margem de tudo. O título é o link para o projeto 28mm: mulheres. Dá uma olhada. No mínimo, interessante.
16.12.08
Um coletivo (como tá na moda essa palavrinha, né?) de artistas de Brasília se juntaram e fizeram essa revista que nada mais é que um fanzine melhorado. Não desmerecendo, mas só para você sacar de qual é dessa revista. HQs diferentes, desenhos bacanas, vale a pena. Clica no título e dá uma olhada no blog dos caras.
O fim de ano está chegando e é hora de relaxar no trabalho. Só não deixa seu chefe saber disso. Bom, liga o fone e escuta esse som. Maps da bandinha Yeah Yeah Yeahs.
yeah yeah yeahs - maps from DonavanJ. on Vimeo.
yeah yeah yeahs - maps from DonavanJ. on Vimeo.
Eu sei que vocês são inteligentes e, por isso, acompanharam a série Alice da HBO que acabou neste último domingo. A série é tão interessante que vale a pena comprar o DVD quando sair. Porque a HBO não vai dar esse mole de não lançar a série em DVD. Se liga que em janeiro vc encontra esses disquinhos. Tomara.
11.12.08
Que primor de abertura. parabéns, Mateus.
Via brainstorm9.
Capitu - Abertura from Carlos Bêla on Vimeo.
Via brainstorm9.
Capitu - Abertura from Carlos Bêla on Vimeo.
8.12.08
Quando fui ver Vicky Cristina Barcelona esse final de semana, me encontrei com uma pessoa muito importante do cinema nacional e brasiliense: o documentarista Wladimir Carvalho. Entre outros bons filmes, ele filmou Barra 68, sobre a invasão militar na Universidade de Brasília em 1968. Vale a pena procurar na web.
Allen melhorou. Se é que ele já foi ruim algum dia. A europa lhe fez bem e ele mostra isso em Vicky Cristina Barcelona. Logo no começo ele dá uma porrada na cabeça da indústria americana: créditos simples e completos em fundo preto e vamos logo pro filme que é o que interessa. O roteiro é bom e dá para ver Allen em cada detalhe. Ainda continua filme de redator (se vc não é publicitário, não vai entender esse comentário), texto pra cacete, muita falação. Sexo do bom e em quantidade para agradar ninfomaniaco. E, histórias abertas no final. Já vi isso em Linha de passe e outros filmes recentes. Será que isso é tendência? Você tem que ver Vicky Cristina Barcelona, é diversão na certa.
5.12.08
2.12.08
Eu juro que é a última vez que eu falo sobre internet 2.0. Já está mesmo enchendo o saco. Mas é que a Superinteressante de dezembro trouxe uma reportagem sobre a origem da Bíblia, o que tem tudo a ver com o tema. Resumindo, a reportagem mostra que a Bíblia foi escrita e re-escrita por milhares de pessoas, de monges copistas a sábios judeus, ou seja, uma verdadeira obra colaborativa. O resultado? Livro traduzido para 300 idiomas, publicado mais de 11 milhões cópias ao ano, livro mais influente do mundo. E aí, precisa dizer que para estourar a boca do balão sua obra TEM que ser 2.0?
28.11.08

Esse post é para mostrar que eu estou totalmente defasado. A editora panini lançou em agosto (há 3 meses atrás) a primeira edição do Turma da Mônica Jovem, uma HQ com Mônica e o agora Cebola crescidos. Para quem passou a infância lendo gibis da turma é bizarro. Quem começou a ler agora deve até achar legal (já foram lançadas 3 volumes que venderam 500 mil exemplares).
27.11.08
25.11.08
17.11.08
14.11.08
12.11.08
Para quem não sabe, a Lomo é uma fabricante russa de máquinas fotográficas que fizeram um baita sucesso nos anos 80. Elas são bem simples mas fazem umas imagens muito boas. Saturam, distorcem, puxam as cores, criam rings. Elas são fodásticas. Praticamente as super-8 da fotografia. Então, eu acabo de adquirir as minhas (Diana+ e pop9) e estão vindo da tão longe, tão perto Viena, Áustria. A DHL, que está trazendo a encomenda, rastreia o produto e você acompanha tudo online. As bichinhas sairam da Austria, foram para a Eslováquia, depois Alemanha, seguiram até a Holanda e finalmente despacharam para SP. Tô tão na pilha que dá vontade de levar as danadas por esse roteiro de novo, só que fotografando, claro. No título tem o link da sociedade lomográfica.
9.11.08
5.11.08
Eu devia cobrar por dar tantas dicas assim. Mas isso é viagem prum outro post. Vamos lá: você conhece o Saul Williams? É um caboco filósofo que canta rap alternativo, é ator, faz umas performances bem malucas e ainda escreve. Mas eu não queria falar dele não. Achei legal os trampos da esposa dele, a artista Marcia Jones. Clica no link que ela ilustrou o site dele.
www.saulwilliams.com
www.saulwilliams.com
4.11.08
30.10.08
29.10.08
28.10.08
Não vale para quem está em SP. Isso porque vocês, provavelmente, já devem conhecer, já devem ter ido ao espetáculo e devem achar esse post ridículo e antigo. Então não vale pra vocês. Mas se você não é de SP, divirta-se (clicando no título) com esse espetáculo teatral. Para ver in loco, vá para a terra dos manos.
27.10.08
Última parada - 174. Moroso, confuso, sem foco. Acho que Barreto se perdeu, sem saber ao certo o que contar. Não é bem a história do Sandro, não é bem a história do seu chapa Alessandro. Não é bem a história da sua mãe (adotiva?), nem a história da ongueira fundadora da Infância para todos. Também não é do sequestro em si. Se não é a história de nada disso, é a história de quê? Boa pergunta. Fiquei feliz só pela equipe técnica que não deixou a peteca cair. Bem filmado, bem fotografado, bem editado, bem masterizado. E só.
24.10.08
23.10.08
Achei o site do projeto. É bem parecido com o projeto que participei em 2003, A Cara de São Paulo. Andrew desenvolveu filme, site e livro de retratos. O link do site está no título. O link da Cara de SP vai abaixo.
http://fotosite.terra.com.br/novo_futuro/barme.php?http://fotosite.terra.com.br/novo_futuro/ler_noticia.php?id=2267
http://fotosite.terra.com.br/novo_futuro/barme.php?http://fotosite.terra.com.br/novo_futuro/ler_noticia.php?id=2267
Sabe aquela mulher maravilhosa? Peitão, bundão, gostosa pra kct mas que se chama Juciara? Então, Busca implacável é assim. Um belissimo filme com nome de piriguete. Mas deixe o nome pra lá, pq o filme é interessante. O cara é um ex-agente que vai resgatar sua filha sequestrada. um 007 sem belas mulheres, sem pirotecnia, sem mentiradas. Uma boa pedida para uma quinta despretensiosa que nem hoje.
22.10.08
Todo mundo pensa que puta, publicitário e jogador de futebol tem vida profissional curta. É verdade, mas toda regra tem sua exceção. E uma delas foi retratada no documentário 69 - Praça da Luz, de Carolina Marcowicz, que mostra o cotidiano de 5 prostitutas que passaram dos 60 e continuam trabalhando no centro de SP. O profissão repórter já beliscou o tema, mas o documentário é bem melhor. Você pode assistir no Porta Curtas da Petrobras.
www.portacurtas.com.br
www.portacurtas.com.br
20.10.08
Conheci esse filme ano passado quando filmei uma campanha publicitária com o diretor dele, o Marcelo Galvão. Na época o filme passou na Mostra de SP e foi bem recebido. Agora o Terra TV disponibilizou todo o material online, inclusive seus 4 finais. Mesmo com baixo orçamento, é bem filmado (apesar de ser HD), os diálogos são ótimos e as situações melhores ainda. Clica no título e confira.
Por acaso vi 300 de Esparta ontem. Não, não é a versão que fizeram baseada no quadrinho do Frank Miller. É a de 1962, de Rudolph Maté.E fica claro como ele troca a batalha pelos diálogos. Tudo é mais explicado: as posições de câmeras, os diálogos, a montagem. Botei dois links, um para o filme de Zack Snyder e o outro para o de Maté. Dois jeitos diferentes de contar a mesma história.
300, Zack Snyder
http://www.youtube.com/watch?v=OXJx-XOBtIM&feature=related
300 Spartans, Rudolph Maté
http://www.youtube.com/watch?v=03kBDmLZsy8
300, Zack Snyder
http://www.youtube.com/watch?v=OXJx-XOBtIM&feature=related
300 Spartans, Rudolph Maté
http://www.youtube.com/watch?v=03kBDmLZsy8
15.10.08
14.10.08
8.10.08
6.10.08
3.10.08
Eu vi Lobisomem ontem. Um clássico do cinema trash. Trash por causa da produção e de falhas bestas no roteiro. Onde já se viu 20h a cidade estar dormindo? Impossível hoje. O casal sai para um passeio às 20h e é atacado pelo temível lobisomem. Me poupe. Mas tem uma coisa interessante em ver filme antigo: como eles entendem cada cena. Todas começam com quadros bem abertos, para você saber bem onde está, para aí sim contar a história. Enfim, quando escrever um roteiro lembre-se que os efeitos sempre vão melhorar. Se quer que seu drama não vire comédia, tenha um bom argumento.
2.10.08
30.9.08
As bandas preferidas de muita gente começam com the. Filme bom tem legenda, explosão e Nova York sendo ameaçada. Para esquentar o comércio, as lojas queimam o estoque: 70% off. A moda da rua é streetwear. No ipod hip hop, na mão a lata de spray tem a atitude do grafite. Para estar conectado o tempo todo, nossos celulares têm bluetooth, email, GPS. E que venha a próxima tecnologia com nome gringo. Os jargões invadiram as salas de reunião. E todo mundo só fala em share, branding, sales. Mas sucesso é com Michael Phelps, acompanhado do Oiapoque ao Chuí nas últimas olimpíadas.
29.9.08
24.9.08
23.9.08
22.9.08
17.9.08
15.9.08
14.9.08
Isso mesmo. Se você tem algum herói, é burro. E isso vale para ídolos, mestres e classificações afins. Não dá para conceber de um inteligente que ele idolatre algo ou alguém. Porque se você prestar um pouquinho de atenção, vai descobrir o que exatamente chama a sua atenção. O crux. O detalhe fundamental. E vai sacar que o resto nem é tão legal assim. E é aí que o ídolo perde brilho. Sua parte medíocre expõe os cortes e manchas de ser apenas o padrão. Ou até menos que isso. E nessa hora rola aquela tradicional brochada. Herói também tem podre. Abra o olho.
12.9.08
A CARTA DA TERRA
PREÂMBULO
Estamos diante de um momento crítico na história da Terra, numa época em que a humanidade deve escolher o seu futuro. À medida que o mundo torna-se cada vez mais interdependente e frágil, o futuro enfrenta, ao mesmo tempo, grandes perigos e grandes promessas. Para seguir adiante, devemos reconhecer que, no meio da uma magnífica diversidade de culturas e formas de vida, somos uma família humana e uma comunidade terrestre com um destino comum. Devemos somar forças para gerar uma sociedade sustentável global baseada no respeito pela natureza, nos direitos humanos universais, na justiça econômica e numa cultura da paz. Para chegar a este propósito, é imperativo que nós, os povos da Terra, declaremos nossa responsabilidade uns para com os outros, com a grande comunidade da vida, e com as futuras gerações.
Terra, Nosso Lar
A humanidade é parte de um vasto universo em evolução. A Terra, nosso lar, está viva com uma comunidade de vida única. As forças da natureza fazem da existência uma aventura exigente e incerta, mas a Terra providenciou as condições essenciais para a evolução da vida. A capacidade de recuperação da comunidade da vida e o bem-estar da humanidade dependem da preservação de uma biosfera saudável com todos seus sistemas ecológicos, uma rica variedade de plantas e animais, solos férteis, águas puras e ar limpo. O meio ambiente global com seus recursos finitos é uma preocupação comum de todas as pessoas. A proteção da vitalidade, diversidade e beleza da Terra é um dever sagrado.
A Situação Global
Os padrões dominantes de produção e consumo estão causando devastação ambiental, redução dos recursos e uma massiva extinção de espécies. Comunidades estão sendo arruinadas. Os benefícios do desenvolvimento não estão sendo divididos eqüitativamente e o fosso entre ricos e pobres está aumentando. A injustiça, a pobreza, a ignorância e os conflitos violentos têm aumentado e são causa de grande sofrimento. O crescimento sem precedentes da população humana tem sobrecarregado os sistemas ecológico e social. As bases da segurança global estão ameaçadas. Essas tendências são perigosas, mas não inevitáveis.
Desafios Para o Futuro
A escolha é nossa: formar uma aliança global para cuidar da Terra e uns dos outros, ou arriscar a nossa destruição e a da diversidade da vida. São necessárias mudanças fundamentais dos nossos valores, instituições e modos de vida. Devemos entender que, quando as necessidades básicas forem atingidas, o desenvolvimento humano será primariamente voltado a ser mais, não a ter mais. Temos o conhecimento e a tecnologia necessários para abastecer a todos e reduzir nossos impactos ao meio ambiente. O surgimento de uma sociedade civil global está criando novas oportunidades para construir um mundo democrático e humano.
Nossos desafios ambientais, econômicos, políticos, sociais e espirituais estão interligados, e juntos podemos forjar soluções includentes.
Responsabilidade Universal
Para realizar estas aspirações, devemos decidir viver com um sentido de responsabilidade universal, identificando-nos com toda a comunidade terrestre bem como com nossa comunidade local. Somos, ao mesmo tempo, cidadãos de nações diferentes e de um mundo no qual a dimensão local e global estão ligadas. Cada um compartilha da responsabilidade pelo presente e pelo futuro, pelo bem-estar da família humana e de todo o mundo dos seres vivos. O espírito de solidariedade humana e de parentesco com toda a vida é fortalecido quando vivemos com reverência o mistério da existência, com gratidão pelo dom da vida, e com humildade considerando em relação ao lugar que ocupa o ser humano na natureza.
Necessitamos com urgência de uma visão compartilhada de valores básicos para proporcionar um fundamento ético à comunidade mundial emergente. Portanto, juntos na esperança, afirmamos os seguintes princípios, todos interdependentes, visando um modo de vida sustentável como critério comum, através dos quais a conduta de todos os indivíduos, organizações, empresas, governos, e instituições transnacionais será guiada e avaliada.
PRINCÍPIOS
I. RESPEITAR E CUIDAR DA COMUNIDADE DA VIDA
1. Respeitar a Terra e a vida em toda sua diversidade.
a. Reconhecer que todos os seres são interligados e cada forma de vida tem valor, independentemente de sua utilidade para os seres humanos.
b. Afirmar a fé na dignidade inerente de todos os seres humanos e no potencial intelectual, artístico, ético e espiritual da humanidade.
2. Cuidar da comunidade da vida com compreensão, compaixão e amor.
a. Aceitar que, com o direito de possuir, administrar e usar os recursos naturais vem o dever de impedir o dano causado ao meio ambiente e de proteger os direitos das pessoas.
b. Assumir que o aumento da liberdade, dos conhecimentos e do poder implica responsabilidade na promoção do bem comum.
3. Construir sociedades democráticas que sejam justas, participativas, sustentáveis e pacíficas.
a. Assegurar que as comunidades em todos níveis garantam os direitos humanos e as liberdades fundamentais e proporcionem a cada um a oportunidade de realizar seu pleno potencial.
b. Promover a justiça econômica e social, propiciando a todos a consecução de uma subsistência significativa e segura, que seja ecologicamente responsável.
4. Garantir as dádivas e a beleza da Terra para as atuais e as futuras gerações.
a. Reconhecer que a liberdade de ação de cada geração é condicionada pelas necessidades das gerações futuras.
b. Transmitir às futuras gerações valores, tradições e instituições que apóiem, em longo prazo, a
prosperidade das comunidades humanas e ecológicas da Terra.
Para poder cumprir estes quatro amplos compromissos, é necessário:
II. INTEGRIDADE ECOLÓGICA
5. Proteger e restaurar a integridade dos sistemas ecológicos da Terra, com especial preocupação pela diversidade biológica e pelos processos naturais que sustentam a vida.
a. Adotar planos e regulamentações de desenvolvimento sustentável em todos os níveis que façam com que a conservação ambiental e a reabilitação sejam parte integral de todas as iniciativas de desenvolvimento.
b. Estabelecer e proteger as reservas com uma natureza viável e da biosfera, incluindo terras selvagens e áreas marinhas, para proteger os sistemas de sustento à vida da Terra, manter a biodiversidade e preservar nossa herança natural.
c. Promover a recuperação de espécies e ecossistemas ameaçadas.
d. Controlar e erradicar organismos não-nativos ou modificados geneticamente que causem dano às espécies nativas, ao meio ambiente, e prevenir a introdução desses organismos daninhos.
e. Manejar o uso de recursos renováveis como água, solo, produtos florestais e vida marinha de forma que não excedam as taxas de regeneração e que protejam a sanidade dos ecossistemas.
f. Manejar a extração e o uso de recursos não-renováveis, como minerais e combustíveis fósseis de forma que diminuam a exaustão e não causem dano ambiental grave.
6. Prevenir o dano ao ambiente como o melhor método de proteção ambiental e, quando o conhecimento for limitado, assumir uma postura de precaução.
a. Orientar ações para evitar a possibilidade de sérios ou irreversíveis danos ambientais mesmo quando a informação científica for incompleta ou não conclusiva.
b. Impor o ônus da prova àqueles que afirmarem que a atividade proposta não causará dano significativo e fazer com que os grupos sejam responsabilizados pelo dano ambiental.
c. Garantir que a decisão a ser tomada se oriente pelas conseqüências humanas globais, cumulativas, de longo prazo, indiretas e de longo alcance.
d. Impedir a poluição de qualquer parte do meio ambiente e não permitir o aumento de substâncias radioativas, tóxicas ou outras substâncias perigosas.
e. Evitar que atividades militares causem dano ao meio ambiente.
7. Adotar padrões de produção, consumo e reprodução que protejam as capacidades regenerativas da Terra, os direitos humanos e o bem-estar comunitário.
a. Reduzir, reutilizar e reciclar materiais usados nos sistemas de produção e consumo e garantir que os resíduos possam ser assimilados pelos sistemas ecológicos.
b. Atuar com restrição e eficiência no uso de energia e recorrer cada vez mais aos recursos energéticos renováveis, como a energia solar e do vento.
c. Promover o desenvolvimento, a adoção e a transferência eqüitativa de tecnologias ambientais saudáveis.
d. Incluir totalmente os custos ambientais e sociais de bens e serviços no preço de venda e habilitar os consumidores a identificar produtos que satisfaçam as mais altas normas sociais e ambientais.
e. Garantir acesso universal à assistência de saúde que fomente a saúde reprodutiva e a reprodução responsável.
f. Adotar estilos de vida que acentuem a qualidade de vida e subsistência material num mundo finito.
8. Avançar o estudo da sustentabilidade ecológica e promover a troca aberta e a ampla aplicação do conhecimento adquirido.
a. Apoiar a cooperação científica e técnica internacional relacionada a sustentabilidade, com especial atenção às necessidades das nações em desenvolvimento.
b. Reconhecer e preservar os conhecimentos tradicionais e a sabedoria espiritual em todas as culturas que contribuam para a proteção ambiental e o bem-estar humano.
c. Garantir que informações de vital importância para a saúde humana e para a proteção ambiental, incluindo informação genética, estejam disponíveis ao domínio público.
III. JUSTIÇA SOCIAL E ECONÔMICA
9. Erradicar a pobreza como um imperativo ético, social e ambiental.
a. Garantir o direito à água potável, ao ar puro, à segurança alimentar, aos solos não-contaminados, ao abrigo e saneamento seguro, distribuindo os recursos nacionais e internacionais requeridos.
b. Prover cada ser humano de educação e recursos para assegurar uma subsistência sustentável, e proporcionar seguro social e segurança coletiva a todos aqueles que não são capazes de manter-se por conta própria.
c. Reconhecer os ignorados, proteger os vulneráveis, servir àqueles que sofrem, e permitir-lhes
desenvolver suas capacidades e alcançar suas aspirações.
10. Garantir que as atividades e instituições econômicas em todos os níveis promovam o desenvolvimento humano de forma eqüitativa e sustentável.
a. Promover a distribuição eqüitativa da riqueza dentro das e entre as nações.
b. Incrementar os recursos intelectuais, financeiros, técnicos e sociais das nações em desenvolvimento e isentá-las de dívidas internacionais onerosas.
c. Garantir que todas as transações comerciais apóiem o uso de recursos sustentáveis, a proteção ambiental e normas trabalhistas progressistas.
d. Exigir que corporações multinacionais e organizações financeiras internacionais atuem com
transparência em benefício do bem comum e responsabilizá-las pelas conseqüências de suas
atividades.
11. Afirmar a igualdade e a eqüidade de gênero como pré-requisitos para o desenvolvimento sustentável e assegurar o acesso universal à educação, assistência de saúde e às oportunidades econômicas.
a. Assegurar os direitos humanos das mulheres e das meninas e acabar com toda violência contra elas.
b. Promover a participação ativa das mulheres em todos os aspectos da vida econômica, política, civil, social e cultural como parceiras plenas e paritárias, tomadoras de decisão, líderes e beneficiárias.
c. Fortalecer as famílias e garantir a segurança e a educação amorosa de todos os membros da família.
12. Defender, sem discriminação, os direitos de todas as pessoas a um ambiente natural e social, capaz de assegurar a dignidade humana, a saúde corporal e o bem-estar espiritual, concedendo especial atenção aos direitos dos povos indígenas e minorias.
a. Eliminar a discriminação em todas suas formas, como as baseadas em raça, cor, gênero, orientação sexual, religião, idioma e origem nacional, étnica ou social.
b. Afirmar o direito dos povos indígenas à sua espiritualidade, conhecimentos, terras e recursos, assim como às suas práticas relacionadas a formas sustentáveis de vida.
c. Honrar e apoiar os jovens das nossas comunidades, habilitando-os a cumprir seu papel essencial na criação de sociedades sustentáveis.
d. Proteger e restaurar lugares notáveis pelo significado cultural e espiritual.
IV.DEMOCRACIA, NÃO VIOLÊNCIA E PAZ
13. Fortalecer as instituições democráticas em todos os níveis e proporcionar-lhes transparência e prestação de contas no exercício do governo, participação inclusiva na tomada de decisões, e acesso à justiça.
a. Defender o direito de todas as pessoas no sentido de receber informação clara e oportuna sobre assuntos ambientais e todos os planos de desenvolvimento e atividades que poderiam afetá-las ou nos quais tenham interesse.
b. Apoiar sociedades civis locais, regionais e globais e promover a participação significativa de todos os indivíduos e organizações na tomada de decisões.
c. Proteger os direitos à liberdade de opinião, de expressão, de assembléia pacífica, de associação e de oposição.
d. Instituir o acesso efetivo e eficiente a procedimentos administrativos e judiciais independentes, incluindo retificação e compensação por danos ambientais e pela ameaça de tais danos.
e. Eliminar a corrupção em todas as instituições públicas e privadas.
f. Fortalecer as comunidades locais, habilitando-as a cuidar dos seus próprios ambientes, e atribuir responsabilidades ambientais aos níveis governamentais onde possam ser cumpridas mais efetivamente.
14. Integrar, na educação formal e na aprendizagem ao longo da vida, os conhecimentos, valores e habilidades necessárias para um modo de vida sustentável.
a. Oferecer a todos, especialmente a crianças e jovens, oportunidades educativas que lhes permitam contribuir ativamente para o desenvolvimento sustentável.
b. Promover a contribuição das artes e humanidades, assim como das ciências, na educação para sustentabilidade.
c. Intensificar o papel dos meios de comunicação de massa no sentido de aumentar a sensibilização para os desafios ecológicos e sociais.
d. Reconhecer a importância da educação moral e espiritual para uma subsistência sustentável.
15. Tratar todos os seres vivos com respeito e consideração.
a. Impedir crueldades aos animais mantidos em sociedades humanas e protegê-los de sofrimentos.
b. Proteger animais selvagens de métodos de caça, armadilhas e pesca que causem sofrimento extremo, prolongado ou evitável.
c. Evitar ou eliminar ao máximo possível a captura ou destruição de espécies não visadas.
16. Promover uma cultura de tolerância, não violência e paz.
a. Estimular e apoiar o entendimento mútuo, a solidariedade e a cooperação entre todas as pessoas, dentro das e entre as nações.
b. Implementar estratégias amplas para prevenir conflitos violentos e usar a colaboração na resolução de problemas para manejar e resolver conflitos ambientais e outras disputas.
c. Desmilitarizar os sistemas de segurança nacional até chegar ao nível de uma postura não-provocativa da defesa e converter os recursos militares em propósitos pacíficos, incluindo restauração ecológica.
d. Eliminar armas nucleares, biológicas e tóxicas e outras armas de destruição em massa.
e. Assegurar que o uso do espaço orbital e cósmico mantenha a proteção ambiental e a paz.
f. Reconhecer que a paz é a plenitude criada por relações corretas consigo mesmo, com outras pessoas, outras culturas, outras vidas, com a Terra e com a totalidade maior da qual somos parte.
O CAMINHO ADIANTE
Como nunca antes na história, o destino comum nos conclama a buscar um novo começo. Tal renovação é a promessa dos princípios da Carta da Terra. Para cumprir esta promessa, temos que nos comprometer a adotar e promover os valores e objetivos da Carta.
Isto requer uma mudança na mente e no coração. Requer um novo sentido de interdependência global e de responsabilidade universal. Devemos desenvolver e aplicar com imaginação a visão de um modo de vida sustentável aos níveis local, nacional, regional e global. Nossa diversidade cultural é uma herança preciosa, e diferentes culturas encontrarão suas próprias e distintas formas de realizar esta visão. Devemos aprofundar expandir o diálogo global gerado pela Carta da Terra, porque temos muito que aprender a partir da busca
iminente e conjunta por verdade e sabedoria.
A vida muitas vezes envolve tensões entre valores importantes. Isto pode significar escolhas difíceis. Porém, necessitamos encontrar caminhos para harmonizar a diversidade com a unidade, o exercício da liberdade com o bem comum, objetivos de curto prazo com metas de longo prazo. Todo indivíduo, família, organização e comunidade têm um papel vital a desempenhar. As artes, as ciências, as religiões, as instituições educativas, os meios de comunicação, as empresas, as organizações não-governamentais e os governos são todos chamados a oferecer uma liderança criativa. A parceria entre governo, sociedade civil e empresas é essencial para uma governabilidade efetiva.
Para construir uma comunidade global sustentável, as nações do mundo devem renovar seu compromisso com as Nações Unidas, cumprir com suas obrigações respeitando os acordos internacionais existentes e apoiar a implementação dos princípios da Carta da Terra com um instrumento internacional legalmente unificador quanto ao ambiente e ao desenvolvimento.
Que o nosso tempo seja lembrado pelo despertar de uma nova reverência face à vida, pelo compromisso firme de alcançar a sustentabilidade, a intensificação da luta pela justiça e pela paz, e a alegre celebração da vida.
PREÂMBULO
Estamos diante de um momento crítico na história da Terra, numa época em que a humanidade deve escolher o seu futuro. À medida que o mundo torna-se cada vez mais interdependente e frágil, o futuro enfrenta, ao mesmo tempo, grandes perigos e grandes promessas. Para seguir adiante, devemos reconhecer que, no meio da uma magnífica diversidade de culturas e formas de vida, somos uma família humana e uma comunidade terrestre com um destino comum. Devemos somar forças para gerar uma sociedade sustentável global baseada no respeito pela natureza, nos direitos humanos universais, na justiça econômica e numa cultura da paz. Para chegar a este propósito, é imperativo que nós, os povos da Terra, declaremos nossa responsabilidade uns para com os outros, com a grande comunidade da vida, e com as futuras gerações.
Terra, Nosso Lar
A humanidade é parte de um vasto universo em evolução. A Terra, nosso lar, está viva com uma comunidade de vida única. As forças da natureza fazem da existência uma aventura exigente e incerta, mas a Terra providenciou as condições essenciais para a evolução da vida. A capacidade de recuperação da comunidade da vida e o bem-estar da humanidade dependem da preservação de uma biosfera saudável com todos seus sistemas ecológicos, uma rica variedade de plantas e animais, solos férteis, águas puras e ar limpo. O meio ambiente global com seus recursos finitos é uma preocupação comum de todas as pessoas. A proteção da vitalidade, diversidade e beleza da Terra é um dever sagrado.
A Situação Global
Os padrões dominantes de produção e consumo estão causando devastação ambiental, redução dos recursos e uma massiva extinção de espécies. Comunidades estão sendo arruinadas. Os benefícios do desenvolvimento não estão sendo divididos eqüitativamente e o fosso entre ricos e pobres está aumentando. A injustiça, a pobreza, a ignorância e os conflitos violentos têm aumentado e são causa de grande sofrimento. O crescimento sem precedentes da população humana tem sobrecarregado os sistemas ecológico e social. As bases da segurança global estão ameaçadas. Essas tendências são perigosas, mas não inevitáveis.
Desafios Para o Futuro
A escolha é nossa: formar uma aliança global para cuidar da Terra e uns dos outros, ou arriscar a nossa destruição e a da diversidade da vida. São necessárias mudanças fundamentais dos nossos valores, instituições e modos de vida. Devemos entender que, quando as necessidades básicas forem atingidas, o desenvolvimento humano será primariamente voltado a ser mais, não a ter mais. Temos o conhecimento e a tecnologia necessários para abastecer a todos e reduzir nossos impactos ao meio ambiente. O surgimento de uma sociedade civil global está criando novas oportunidades para construir um mundo democrático e humano.
Nossos desafios ambientais, econômicos, políticos, sociais e espirituais estão interligados, e juntos podemos forjar soluções includentes.
Responsabilidade Universal
Para realizar estas aspirações, devemos decidir viver com um sentido de responsabilidade universal, identificando-nos com toda a comunidade terrestre bem como com nossa comunidade local. Somos, ao mesmo tempo, cidadãos de nações diferentes e de um mundo no qual a dimensão local e global estão ligadas. Cada um compartilha da responsabilidade pelo presente e pelo futuro, pelo bem-estar da família humana e de todo o mundo dos seres vivos. O espírito de solidariedade humana e de parentesco com toda a vida é fortalecido quando vivemos com reverência o mistério da existência, com gratidão pelo dom da vida, e com humildade considerando em relação ao lugar que ocupa o ser humano na natureza.
Necessitamos com urgência de uma visão compartilhada de valores básicos para proporcionar um fundamento ético à comunidade mundial emergente. Portanto, juntos na esperança, afirmamos os seguintes princípios, todos interdependentes, visando um modo de vida sustentável como critério comum, através dos quais a conduta de todos os indivíduos, organizações, empresas, governos, e instituições transnacionais será guiada e avaliada.
PRINCÍPIOS
I. RESPEITAR E CUIDAR DA COMUNIDADE DA VIDA
1. Respeitar a Terra e a vida em toda sua diversidade.
a. Reconhecer que todos os seres são interligados e cada forma de vida tem valor, independentemente de sua utilidade para os seres humanos.
b. Afirmar a fé na dignidade inerente de todos os seres humanos e no potencial intelectual, artístico, ético e espiritual da humanidade.
2. Cuidar da comunidade da vida com compreensão, compaixão e amor.
a. Aceitar que, com o direito de possuir, administrar e usar os recursos naturais vem o dever de impedir o dano causado ao meio ambiente e de proteger os direitos das pessoas.
b. Assumir que o aumento da liberdade, dos conhecimentos e do poder implica responsabilidade na promoção do bem comum.
3. Construir sociedades democráticas que sejam justas, participativas, sustentáveis e pacíficas.
a. Assegurar que as comunidades em todos níveis garantam os direitos humanos e as liberdades fundamentais e proporcionem a cada um a oportunidade de realizar seu pleno potencial.
b. Promover a justiça econômica e social, propiciando a todos a consecução de uma subsistência significativa e segura, que seja ecologicamente responsável.
4. Garantir as dádivas e a beleza da Terra para as atuais e as futuras gerações.
a. Reconhecer que a liberdade de ação de cada geração é condicionada pelas necessidades das gerações futuras.
b. Transmitir às futuras gerações valores, tradições e instituições que apóiem, em longo prazo, a
prosperidade das comunidades humanas e ecológicas da Terra.
Para poder cumprir estes quatro amplos compromissos, é necessário:
II. INTEGRIDADE ECOLÓGICA
5. Proteger e restaurar a integridade dos sistemas ecológicos da Terra, com especial preocupação pela diversidade biológica e pelos processos naturais que sustentam a vida.
a. Adotar planos e regulamentações de desenvolvimento sustentável em todos os níveis que façam com que a conservação ambiental e a reabilitação sejam parte integral de todas as iniciativas de desenvolvimento.
b. Estabelecer e proteger as reservas com uma natureza viável e da biosfera, incluindo terras selvagens e áreas marinhas, para proteger os sistemas de sustento à vida da Terra, manter a biodiversidade e preservar nossa herança natural.
c. Promover a recuperação de espécies e ecossistemas ameaçadas.
d. Controlar e erradicar organismos não-nativos ou modificados geneticamente que causem dano às espécies nativas, ao meio ambiente, e prevenir a introdução desses organismos daninhos.
e. Manejar o uso de recursos renováveis como água, solo, produtos florestais e vida marinha de forma que não excedam as taxas de regeneração e que protejam a sanidade dos ecossistemas.
f. Manejar a extração e o uso de recursos não-renováveis, como minerais e combustíveis fósseis de forma que diminuam a exaustão e não causem dano ambiental grave.
6. Prevenir o dano ao ambiente como o melhor método de proteção ambiental e, quando o conhecimento for limitado, assumir uma postura de precaução.
a. Orientar ações para evitar a possibilidade de sérios ou irreversíveis danos ambientais mesmo quando a informação científica for incompleta ou não conclusiva.
b. Impor o ônus da prova àqueles que afirmarem que a atividade proposta não causará dano significativo e fazer com que os grupos sejam responsabilizados pelo dano ambiental.
c. Garantir que a decisão a ser tomada se oriente pelas conseqüências humanas globais, cumulativas, de longo prazo, indiretas e de longo alcance.
d. Impedir a poluição de qualquer parte do meio ambiente e não permitir o aumento de substâncias radioativas, tóxicas ou outras substâncias perigosas.
e. Evitar que atividades militares causem dano ao meio ambiente.
7. Adotar padrões de produção, consumo e reprodução que protejam as capacidades regenerativas da Terra, os direitos humanos e o bem-estar comunitário.
a. Reduzir, reutilizar e reciclar materiais usados nos sistemas de produção e consumo e garantir que os resíduos possam ser assimilados pelos sistemas ecológicos.
b. Atuar com restrição e eficiência no uso de energia e recorrer cada vez mais aos recursos energéticos renováveis, como a energia solar e do vento.
c. Promover o desenvolvimento, a adoção e a transferência eqüitativa de tecnologias ambientais saudáveis.
d. Incluir totalmente os custos ambientais e sociais de bens e serviços no preço de venda e habilitar os consumidores a identificar produtos que satisfaçam as mais altas normas sociais e ambientais.
e. Garantir acesso universal à assistência de saúde que fomente a saúde reprodutiva e a reprodução responsável.
f. Adotar estilos de vida que acentuem a qualidade de vida e subsistência material num mundo finito.
8. Avançar o estudo da sustentabilidade ecológica e promover a troca aberta e a ampla aplicação do conhecimento adquirido.
a. Apoiar a cooperação científica e técnica internacional relacionada a sustentabilidade, com especial atenção às necessidades das nações em desenvolvimento.
b. Reconhecer e preservar os conhecimentos tradicionais e a sabedoria espiritual em todas as culturas que contribuam para a proteção ambiental e o bem-estar humano.
c. Garantir que informações de vital importância para a saúde humana e para a proteção ambiental, incluindo informação genética, estejam disponíveis ao domínio público.
III. JUSTIÇA SOCIAL E ECONÔMICA
9. Erradicar a pobreza como um imperativo ético, social e ambiental.
a. Garantir o direito à água potável, ao ar puro, à segurança alimentar, aos solos não-contaminados, ao abrigo e saneamento seguro, distribuindo os recursos nacionais e internacionais requeridos.
b. Prover cada ser humano de educação e recursos para assegurar uma subsistência sustentável, e proporcionar seguro social e segurança coletiva a todos aqueles que não são capazes de manter-se por conta própria.
c. Reconhecer os ignorados, proteger os vulneráveis, servir àqueles que sofrem, e permitir-lhes
desenvolver suas capacidades e alcançar suas aspirações.
10. Garantir que as atividades e instituições econômicas em todos os níveis promovam o desenvolvimento humano de forma eqüitativa e sustentável.
a. Promover a distribuição eqüitativa da riqueza dentro das e entre as nações.
b. Incrementar os recursos intelectuais, financeiros, técnicos e sociais das nações em desenvolvimento e isentá-las de dívidas internacionais onerosas.
c. Garantir que todas as transações comerciais apóiem o uso de recursos sustentáveis, a proteção ambiental e normas trabalhistas progressistas.
d. Exigir que corporações multinacionais e organizações financeiras internacionais atuem com
transparência em benefício do bem comum e responsabilizá-las pelas conseqüências de suas
atividades.
11. Afirmar a igualdade e a eqüidade de gênero como pré-requisitos para o desenvolvimento sustentável e assegurar o acesso universal à educação, assistência de saúde e às oportunidades econômicas.
a. Assegurar os direitos humanos das mulheres e das meninas e acabar com toda violência contra elas.
b. Promover a participação ativa das mulheres em todos os aspectos da vida econômica, política, civil, social e cultural como parceiras plenas e paritárias, tomadoras de decisão, líderes e beneficiárias.
c. Fortalecer as famílias e garantir a segurança e a educação amorosa de todos os membros da família.
12. Defender, sem discriminação, os direitos de todas as pessoas a um ambiente natural e social, capaz de assegurar a dignidade humana, a saúde corporal e o bem-estar espiritual, concedendo especial atenção aos direitos dos povos indígenas e minorias.
a. Eliminar a discriminação em todas suas formas, como as baseadas em raça, cor, gênero, orientação sexual, religião, idioma e origem nacional, étnica ou social.
b. Afirmar o direito dos povos indígenas à sua espiritualidade, conhecimentos, terras e recursos, assim como às suas práticas relacionadas a formas sustentáveis de vida.
c. Honrar e apoiar os jovens das nossas comunidades, habilitando-os a cumprir seu papel essencial na criação de sociedades sustentáveis.
d. Proteger e restaurar lugares notáveis pelo significado cultural e espiritual.
IV.DEMOCRACIA, NÃO VIOLÊNCIA E PAZ
13. Fortalecer as instituições democráticas em todos os níveis e proporcionar-lhes transparência e prestação de contas no exercício do governo, participação inclusiva na tomada de decisões, e acesso à justiça.
a. Defender o direito de todas as pessoas no sentido de receber informação clara e oportuna sobre assuntos ambientais e todos os planos de desenvolvimento e atividades que poderiam afetá-las ou nos quais tenham interesse.
b. Apoiar sociedades civis locais, regionais e globais e promover a participação significativa de todos os indivíduos e organizações na tomada de decisões.
c. Proteger os direitos à liberdade de opinião, de expressão, de assembléia pacífica, de associação e de oposição.
d. Instituir o acesso efetivo e eficiente a procedimentos administrativos e judiciais independentes, incluindo retificação e compensação por danos ambientais e pela ameaça de tais danos.
e. Eliminar a corrupção em todas as instituições públicas e privadas.
f. Fortalecer as comunidades locais, habilitando-as a cuidar dos seus próprios ambientes, e atribuir responsabilidades ambientais aos níveis governamentais onde possam ser cumpridas mais efetivamente.
14. Integrar, na educação formal e na aprendizagem ao longo da vida, os conhecimentos, valores e habilidades necessárias para um modo de vida sustentável.
a. Oferecer a todos, especialmente a crianças e jovens, oportunidades educativas que lhes permitam contribuir ativamente para o desenvolvimento sustentável.
b. Promover a contribuição das artes e humanidades, assim como das ciências, na educação para sustentabilidade.
c. Intensificar o papel dos meios de comunicação de massa no sentido de aumentar a sensibilização para os desafios ecológicos e sociais.
d. Reconhecer a importância da educação moral e espiritual para uma subsistência sustentável.
15. Tratar todos os seres vivos com respeito e consideração.
a. Impedir crueldades aos animais mantidos em sociedades humanas e protegê-los de sofrimentos.
b. Proteger animais selvagens de métodos de caça, armadilhas e pesca que causem sofrimento extremo, prolongado ou evitável.
c. Evitar ou eliminar ao máximo possível a captura ou destruição de espécies não visadas.
16. Promover uma cultura de tolerância, não violência e paz.
a. Estimular e apoiar o entendimento mútuo, a solidariedade e a cooperação entre todas as pessoas, dentro das e entre as nações.
b. Implementar estratégias amplas para prevenir conflitos violentos e usar a colaboração na resolução de problemas para manejar e resolver conflitos ambientais e outras disputas.
c. Desmilitarizar os sistemas de segurança nacional até chegar ao nível de uma postura não-provocativa da defesa e converter os recursos militares em propósitos pacíficos, incluindo restauração ecológica.
d. Eliminar armas nucleares, biológicas e tóxicas e outras armas de destruição em massa.
e. Assegurar que o uso do espaço orbital e cósmico mantenha a proteção ambiental e a paz.
f. Reconhecer que a paz é a plenitude criada por relações corretas consigo mesmo, com outras pessoas, outras culturas, outras vidas, com a Terra e com a totalidade maior da qual somos parte.
O CAMINHO ADIANTE
Como nunca antes na história, o destino comum nos conclama a buscar um novo começo. Tal renovação é a promessa dos princípios da Carta da Terra. Para cumprir esta promessa, temos que nos comprometer a adotar e promover os valores e objetivos da Carta.
Isto requer uma mudança na mente e no coração. Requer um novo sentido de interdependência global e de responsabilidade universal. Devemos desenvolver e aplicar com imaginação a visão de um modo de vida sustentável aos níveis local, nacional, regional e global. Nossa diversidade cultural é uma herança preciosa, e diferentes culturas encontrarão suas próprias e distintas formas de realizar esta visão. Devemos aprofundar expandir o diálogo global gerado pela Carta da Terra, porque temos muito que aprender a partir da busca
iminente e conjunta por verdade e sabedoria.
A vida muitas vezes envolve tensões entre valores importantes. Isto pode significar escolhas difíceis. Porém, necessitamos encontrar caminhos para harmonizar a diversidade com a unidade, o exercício da liberdade com o bem comum, objetivos de curto prazo com metas de longo prazo. Todo indivíduo, família, organização e comunidade têm um papel vital a desempenhar. As artes, as ciências, as religiões, as instituições educativas, os meios de comunicação, as empresas, as organizações não-governamentais e os governos são todos chamados a oferecer uma liderança criativa. A parceria entre governo, sociedade civil e empresas é essencial para uma governabilidade efetiva.
Para construir uma comunidade global sustentável, as nações do mundo devem renovar seu compromisso com as Nações Unidas, cumprir com suas obrigações respeitando os acordos internacionais existentes e apoiar a implementação dos princípios da Carta da Terra com um instrumento internacional legalmente unificador quanto ao ambiente e ao desenvolvimento.
Que o nosso tempo seja lembrado pelo despertar de uma nova reverência face à vida, pelo compromisso firme de alcançar a sustentabilidade, a intensificação da luta pela justiça e pela paz, e a alegre celebração da vida.
1.9.08
Com certeza você já viu Uma Verdade Inconveniente. É bom. Bem feitinho, tem o merchan da apple com seus laptops, o Al Gore fala bem, explica o aquecimento global direitinho, tudo é bem filmado. Até aí, ok. Mas você viu como o Al Gore é rápido? Ele mostra exemplos com tanta rapidez, faz conexões em alta velocidade. Sinal de inteligência. Se você quer parecer inteligente, seja rápido. Mas só acelere se for mesmo inteligente. Burro com cara de inteligente não dá. E não cola. E lembre-se, esse é um post sobre roteiros e não sobre a vida.
29.8.08
Vi Cazuza - o tempo não pára, dirigido pela Sandra Werneck. E filme assim é difícil de fazer. Porque você tem uma história pública muito conhecida e que determinados trechos dela são muito tocantes para certas pessoas. Então é preciso escolher o trecho certo dessa história para retratar. Ninguém quer ouvir um "ah, você deixou de fora essa parte..." Fora isso tem o casting. Não basta ser bom, tem que ser parecido com o personagem. E foi aí que eles acertaram: Daniel de Oliveira é parecido e é bom. Marieta Severo é parecida e é excepcional. E que tabelinha fizeram os dois juntos. Ponto para eles.
27.8.08
26.8.08
25.8.08
22.8.08
21.8.08
19.8.08
Assinar:
Postagens (Atom)




